Ser sommelier de cervejas, é legal?

Por Patt Sanches

Como me tornei sommelier

Eu já fazia cerveja em casa, já era técnica cervejeira e a fábrica estava quase encaminhada para começar a funcionar. Eu amava estudar cervejas e já tinha feito dois cursos de off flavors junto a ACervA do meu estado. Naquela época, eu só tinha ouvido falar do curso de sommellier de cervejas porque uma das minhas amigas já havia feito.

O mercado de cervejas artesanais/especiais/gourmet de Recife já estava aquecendo, mas era muito oneroso fazer o curso, pois todas as escolas eram fora do estado, mais precisamente: no Rio, em São Paulo, em Minas e em Porto Alegre. Só em pensar no valor do curso + passagem + hospedagem + alimentação + transporte + saídas noturnas para conhecer os bares e restaurantes era uma fortuna para a nordestina aqui. Então eu nem cogitava fazer. Mas aí que tudo mudou.

Esta mesma amiga sommelier, junto com uma cervejaria, auxiliaram uma escola a trazer o curso para Recife. Eu fiquei enlouquecida! Eu precisava fazer este curso. Na minha cabeça ele iria APENAS me ajudar com os processos de cerveja e as análises sensoriais; e isto já estava bom demais. Nunca tive pretensões em viver da sommelieria, eu queria que o curso me ajudasse na fábrica. EU ESTAVA TÃO ENGANADA! Dividi no máximo de parcelas que eu poderia pagar e lá estava eu com a matrícula na mão.

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Fazendo o curso eu me dei conta do UNIVERSO vasto da cerveja artesanal, comecei a dar valor as escolas que eu menos apreciava (como a alemã, por exemplo), descobri o maravilhoso mundo da harmonização, percebi que a história cervejeira era algo que todo mundo deveria conhecer. Após a conclusão do curso, eu me dei conta que ele me ajudou no entendimento global da cerveja, de todo ritual para se beber uma artesanal e apreciar cada nuance, me auxiliou vastamente com a criação de receitas, pois como sommelier, você aprende a dissecar a cerveja e como técnica cervejeira eu iria atrás de cada característica daquelas. Exemplo:

  • Espuma: de boa formação, boa retenção, de cor branca. COMO EU IRIA DEIXAR A ESPUMA ASSIM?
  • Cor: cor amarelo dourado. QUE MALTES EU PRECISARIA PARA DAR ESSE TOQUE DOURADO?
  • Turbidez: cerveja levemente turva. ADICIONO TRIGO? AVEIA? É DA LEVEDURA? FOI A FILTRAÇÃO? TURBIDEZ A FRIO?
  • Aromas de frutas secas e em calda: QUE BLEND DE MALTES EU CONSIGO ESSE AROMA MARABRILHOSO? COMO EU TRABALHO O ÁLCOOL DELA PARA EXALAR AINDA MAIS AROMAS?
  • Aroma de lúpulos frescos, frutas amarelas, brancas, vermelhas, flores brancas: QUE LÚPULOS MEU DEUS! COMO CONSEGUIR ISSO?
  • Corpo: denso. GOSTO!
  • Textura: aveludada. AI JESUS! QUERO! COMO FAZ?
  • Retrogosto: amargor elegante. AMO ❤
  • Carbonatação: baixa pra médio/ média para alta. AHHH ENTÃO CADA ESTILO TEM UM PADRÃO?

Então foi assim que eu comecei a amar ser sommelier e a criar receitas incríveis (sem modéstia mesmo), pois agora eu entendia o que eu queria, afinal foram uns 100 rótulos degustados entre cervejas nacionais e importadas. Mas depois do curso, outras oportunidades se abriram:

  • eu conseguia promover eventos para divulgar a minha cerveja;
  • fui convidada para guiar harmonizações com chefes que eu admirava;
  • conheci tanta gente da gastronomia, que não consigo nem enumerar;
  • dei palestras;
  • fiz amigos que levo até hoje no meu coração;
  • consegui reconhecimento para julgar em concursos cervejeiros;
  • e um mercado gigante de possibilidades se abriu pra mim.
*É importante esclarecer que o curso de sommelier não te dá habilidades práticas de produção. Eu que, além de tudo que aprendi, usei os conhecimentos adquiridos no curso para agregrar às minhas capacidades técnicas de fabricação de cervejas.

E eu que achava que o curso iria me ajudar apenas na análise sensorial para encontrar defeitos na minha cerveja, aprendi o quanto é difícil deixar de lado aquela coisa de ser um “beer chato” e passar a apreciar a cerveja e descrever todos os atributos que ela tem para oferecer.

Façam um teste de 1 semana e tentem não falar mal de ninguém e nem de nada. Você vai ver o quanto é difícil abrir a mente para falar bem, encontrar o belo. E o curso de sommelier nada mais é que do que isso, é um exercício a cada copo degustado. Até um juramento fizemos de não falar mal de nenhuma cerveja!

Afinal, atrás de um copo de cerveja, tem uma equipe que rala todos os dias, um(a) cervejeiro(a) que pensou no melhor para o momento do seu encontro com o líquido sagrado, uma cadeia de empregos que são gerados para cada demanda: tampinha, rótulo, garrafa, insumos, sanitizantes, órgãos fiscalizadores, equipamentos, consultorias, necessidade de constante atualização e estudo.

O mercado de cervejas tem crescido no Brasil, aumentando a demanda por profissionais qualificados tanto na área de produção quanto na de serviço. O Brasil é o terceiro maior produtor de cervejas do mundo. São 610 cervejarias no país (MAPA, 2017). No mercado local em Pernambuco consta de 11 microcervejarias e 4 cervejarias de grande porte, além das cervejarias ciganas, brewpubs e toda a cadeia de valor.

Curso de sommelier em Recife Julho/2018

E esta oportunidade está batendo de novo nas portas recifenses, com o Instituto Ceres. A primeira escola cervejeira do nordeste. E sabe o que isso significa? Significa que o custo de “passagem + hospedagem + alimentação” foi eliminado para pessoas de Recife e Região Metropolitana e diminuído para nordestinos por morarem em estados próximos da escola.

 

(Clique na imagem)

O objetivo do curso do Ceres neste curso é: formar profissionais na área de sommelieria de cervejas. Profissionais que estejam aptos a atuar em cervejarias, lojas, bares, distribuidoras e restaurantes. Sendo eles, responsáveis pelo serviço, controle de qualidade no armazenamento, controle de estoque, definição de perfil sensorial de cervejas, desenvolvimento de novos produtos, harmonizações, avaliação de cervejas, treinamentos de equipes de brigada, entre outras atividades que envolvem a sommelieria.

O curso foi desenhado para suprir todas as necessidades que percebemos nesta área. Todas as lacunas que tinham no curso que fiz, tentamos preencher baseados em nossa experiência no mercado. Trouxemos professores com grande experiência na área. E o curso ainda consta com uma certificação reconhecida, pois o SENAC concederá a chancela para o curso, oferecendo assim, um certificado de valor para o mercado atual.

Se liga no conteúdo do curso: 

História da cerveja | Perfil profissional do Sommelier de Cervejas |Técnicas de degustação |Análise sensorial |Matérias-primas | Legislação brasileira |Processo de fabricação de cervejas |Estabilidade da cerveja | Famílias de cervejas | Escolas cervejeiras –  Alemã | Escolas cervejeiras –  Anglo-saxônica | Escolas cervejeiras – Belga | Escolas cervejeiras – Americana |Chope teórico e prático |Glassware | Serviço de mesa e cerveja |Harmonização prática de queijos, embutidos e sobremesas |Técnicas de harmonização | Gastronomia e cerveja | Carta de cervejas | Cerveja e saúde | Mixologia | Mercado e modelos de negócio | Marketing de cervejas | Vendas e treinamento | Visita à cervejaria.

Para mais informações: clique aqui.

Professores convidados

Além das professoras do Instituto Ceres, confira alguns dos professores convidados do curso:

  • Ronaldo Rossi: Chef de cozinha e consultor com mais de 22 anos de experiência. Especialista em Harmonização e desenvolvimento de receitas de cervejas. Professor de formação em curso de Sommelier de Cervejas e de Gastronomia. Colunista da Revista da Cerveja, curador e palestrante de eventos cervejeiros. Idealizador do congresso BeerCON. Organizador e juiz de concursos de cerveja. @chefronaldorossi
  • Doug Merlo: Morou na Europa por 8 anos onde formou-se mixologista (Associação Italiana de Bartenders e Apoiadores) e Sommelier de Cervejas pela Italian Beertaster Association. Também formado como Sommelier de Cervejas pela Doemens Akademie e BJCP Certified. Professor em cursos de Sommelier e produção de Cerveja artesanal (SENAI). Juiz de concursos nacionais e internacionais como C.I.B.A. (Itália), Brussels Beer Challenge (Bélgica), World Beer Cup (EUA) e Concurso Brasileiro de Cervejas (Brasil). Promove por todo o Brasil o Curso de Técnicas de Degustação e Cultura Cervejeira. @dougmerlo
  • Gabriela RamosCervejeira pelo SENAI Vassouras desde 2013. Sommelier de Cervejas pela ABS-SP e Doemens Akademie e Mestre em Estilos – ICB.  Primeira Sommelier de Cervejas de Pernambuco. Foi Coordenadora e Professora do Curso Técnico em Cervejaria na Faculdade Maurício de Nassau. Promove eventos de harmonização. Atualmente é Sommelier na AB Inbev. @gabisommeliere

Agora corre! Pois as aulas já começam dia 06 de julho de 2018. Inscrições: www.institutoceres.com.br

Eu descreveria o curso de sommelier, como uma coisa que todo amante de cervejas artesanais deveria fazer. Mesmo aqueles que não pretendem trabalhar na área. A experiência é tão incrível, que só fazendo para entender o que eu estou falando. ❤ E respondendo a pergunta do título, sim, ser sommelier é muito mais que legal! 😉

Beijos lupulados com aromas de frutas vermelhas, corpo denso, textura aveludada e final adocicado.

Escola Inglesa ou Americana? Escolha um lado no Que Malte Pergunte 2018.

Por Instituto Ceres

O evento cervejeiro mais aguardado do ano tá chegando: O Que Malte Pergunte! Esse ano a escolha do tema do QMTP foi bem especial e desafiadora. Duas escolas cervejeiras polêmicas e cheias de encanto: as escolas AMERICANA E INGLESA.

Mas tem gente que deve estar se perguntando: mas o que é uma escola cervejeira? Não estamos falando aqui de instituições de ensino, mas da maneira como esses países ou regiões produzem sua cerveja. Seja pelas técnicas utilizadas, matérias-primas ou pelo DNA que deixam marcado em seus estilos.

ESCOLA INGLESA

Big Ben, a cabine clássica inglesa e o ônibus duplo em Londres

De um lado do ringue temos a Escola Inglesa, que abrange também a Escócia e a Irlanda. Tradicionais e orgulhosos de sua Ale, “Real Ale”. Uma das características das ”Real Ale” é a baixa carbonatação. Sim, a cerveja não está “choca”, realmente é menos carbonatada. Cheia de personalidade.

Sabia que por volta de 1530 até 1552 o uso do lúpulo era proibido por lá?

Alegava-se que ele tirava o caráter do malte torrado, descaracterizando assim, a ale. Ao contrário do que muitos pensam, a IPA (India Pale Ale) não é um estilo originalmente americano (muito menos indiano), e sim um estilo Inglês! Apesar das duas escolas adotarem o estilo, elas têm o perfil sensorial bem diferente. As inglesas com uma base maltada bem marcante, o lúpulo com caráter terroso e herbal, bem diferente da citricidade americana.

ESCOLA AMERICANA

Bandeira americana

Do outro lado do ringue temos os americanos. Uma escola conhecida pelos extremos.Há quem diga que seus estilos são apenas releituras de estilos existentes com uma pitada de exagero. Mas a escola americana é mais que isso. Ousadia, novas tecnologias e técnicas de utilização das matérias-primas, principalmente o lúpulo.

E nós brasileiros temos muito em comum com eles…

Quando se fala em cerveja americana, normalmente a primeira lembrança que vem à cabeça são as cervejas mais leves e claras, as american lager tão disseminadas mundo afora. O que nem todo mundo sabe é a origem dessas cervejas. Após 13 anos de lei seca nos Estados Unidos e crise econômica, foram introduzidos os adjuntos de uma maneira mais contundente, principalmente arroz e derivados de milho. Fonte de carboidrato, eles são utilizados na cerveja desde os primórdios, mas dessa vez, muito mais com o caráter de redução de custos e para proporcionar mais leveza para um público que, em sua maioria, não tinha a cultura de tomar cerveja. Anos depois, houve um “boom” de cervejarias artesanais e o mercado americano é um dos que mais crescem. Hoje com mais de 5.000 microcervejarias, ditam tendências de consumo e produção de cerveja.

MAS E VOCÊ? DE QUE LADO DO RINGUE ESTÁ?

No dia 6 de janeiro teremos exemplares das duas escolas na disputa. Um open bar com cervejas artesanais. Eu não perderia o QTPM se fosse você. Para compra dos ingressos, clique aqui.

E no dia 20 de janeiro, o Instituto Ceres promove um WORKSHOP DE INTRODUÇÃO AO UNIVERSO CERVEJEIRO, abordando a histórias dessas e das outras escolas cervejeiras, ainda com degustação de 8 rótulos sensacionais.

Não conhece ainda o Instituto Ceres? Para saber mais: www.sympla.com.br/institutoceres