NONECO e Cerevisia. Caatinga Rocks e Raffe. É o Nordeste aprontando!

Por Nadhine França 

Depois do aniversário da Raffe, que teve várias ótimas cervejas do Nordeste. Mais dois eventos corroboraram para que, além do visível crescimento do mercado pernambucano, batesse aquele misto de orgulho com constatação: estamos evoluindo. E rápido.

O encontro Norte, Nordeste e Centro-oeste aconteceu na cidade de Maceió, minha sereia! Terra das premiadas Caatinga Rocks e Hop Bros. Mostrou que além de praias maravilhosas, a galera já tá fazendo cerveja muito boa.

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No evento rolou uma série de palestras com Igor Pourro, falando sobre a água cervejeira, Rodrigo Campos dando dicas sobre como fazer uma sour campeã, Lucas Domingues enumerando as IPAs e suas técnicas e Daniel Bode falando sobre estabilidade de espuma e sensorial e coloidal. Palestras de alto nível e super necessárias. Hoje os caseiros precisam muito de um maior conhecimento sobre passos mais avançados do que simplesmente deixar a levedura ter o trabalho árduo de transformar aquele mosto feito de qualquer jeito em cerveja.

Ainda rolou um Curso de análise sensorial com Rafa De Conti extremamente necessário para todo profissional do ramo cervejeiro.

E no sábado… a festa! Open bar com as cervejas dos Acervianos do Norte, Nordeste e Centro-oeste. A banda de cervejeiros caseiros deu um show incrível!

Os medalhistas foram:

Alemã
PRATA – Ricardo Zanata (Acerva Candanga)
BRONZE – Bruno Rocha (Acerva PE)
Inglesa
BRONZE – Erivaldo Casado (Acerva Candanga)
Americana e Catharina Sour
BRONZE – Carlos Monteiro (Acerva Potiguar)
PRATA – Rodrigo Campos (Acerva Alagoana)
M. Honrosa – Jesuino Neto (Acerva Cearense)
Belga
Não houve medalha
BOS
Catharina Sour (Rodrigo Campos. Acerva Alagoana)

Eventos

Já o Cerevisia é o evento anual da Acerva Paraíba. Esse ano foi o primeiro com congresso e concurso de caseiros. Tudo feito com muito amor. Adoramos participar super de perto de todo o processo. E esperamos ansiosamente os próximos!

O mais legal de participar desses eventos é rolar toda essa proximidade entre os caseiros de todo o nordeste. Isso é muito importante pro crescimento do movimento como um todo.

Nesse meio tempo conhecemos o TapRoom da cervejaria Caatinga Rocks. Lugar com a decoração super bacana, atendimento muito simpático. As brejas, vocês já devem conhecer né!? A Serelepe ganhou prêmio de melhor cerveja do país na Copa da Cerveja POA. A Zumbi esteve no ultimo QMTP e arrasou corações. É sempre surpreendente uma Stout com uma refrescância, a Tropical Stout leva adição de nibs de cacau, coco queimado e hortelã, e no final do ano passado eles lançaram uma versão envelhecida em barrica de cachaça (carvalho) por seis meses com adição de goiaba na fase final de maturação. Mas minha nova paixão deles é a Twist and Sour uma Gose com limão siciliano, limão taiti, laranja bahia e sal rosa, eu falei: S-A-L-R-O-S-A!!! Ela sozinha já é uma delícia…mas com gin então….fica divino!

A Raffe que nós já falamos aqui quanta cerveja boa tem lá, vai realizar mais uma festa neste sábado 19/01 no Covil a Raffe Summer Fest! O evento promete ser incrível! Com muita música boa, comidinhas da Chiberium e Milliways, e claro… cervejas! Terão cervejas exclusivas do evento de cervejarias convidadas e algumas de linha da cervejaria. E com preços mais incríveis ainda…todas as cervejas custarão 7 ou 10 reais o chope!!!

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E você pode comprar o ingresso por AQUI. E é claro que eu vou estar lá!!!!!! Vamossimbora!?

A Caatinga Rocks e a Raffe são cervejarias parceiras desse Que Malte Pergunte… e Que Malte Pergunte… você já comprou seu ingresso???? Tá vacilando! Compra AQUI!

Te esperamos nessa festa linda que estamos preparando com muito amor e ansiedade.

Beijos salgados!

 

Brut IPA: nova tendência cervejeira

❤ Por Patt Sanches

Depois das polêmicas New England IPA (incluída recentemente no BA 2018 na categoria Juicy or Hazy Ale Styles), das MilkShake IPA (IPAS com adição de lactose) e das Catharinas Sours (em luta para reconhecimento no BJCP, ou não rsrs), o novo burburinho está em cima das Brut IPAs, mas o que seria isso?

Para quem não sabe, o estilo Brut, também conhecido por bière de champagne ou bière brut, é uma cerveja extremamente leve, delicada e elegante, de baixo amargor, que utiliza o método champenoise* para auxiliar na alta carbonatação e sensação frisante, além de conferir complexidade aromática (devido aos ésteres e aos fenóis principalmente) e contribuir para a remoção quase que completa das leveduras residuais, conferindo uma cerveja limpa, brilhante e transparente.

O serviço dela é feito em taça flute ou flauta (uma taça esguia de boca e corpo estreitos a fim de evitar a rápida dispersão da carbonatação) e o resultado é um perlage** perfeito. Costumo dizer que a sensação é de beber estrelas! ❤ #soudessas

*Champenoise = já falamos um pouco do processo de produção de algumas bruts aqui no blog. Apesar de ser um post antigo, recomendamos a leitura antes de prosseguir (clique aqui).
**Perlage = mini bolhas ou “pérolas”, oriundas da carbonatação (natural ou forçada), que se desprendem dinamicamente do líquido; muito comum em cervejas do tipo brut e em espumantes.

Bière brut Lust Fonte: Blog Cervejas Artesanais do Brasil

 

Bière brut Wals Fonte: Divulgação Wals

Não há descrição do estilo em nenhum dos guias de estilos mais comuns entre os cervejeiros (o do BJCP e o da Brewer’s Association). Porém, o estilo que chega mais próximo no BJCP, seria o 25c (Belgian golden strong ale), descrita como:

Belgian Golden Strong Ale: “(…)uma ale de estilo belga, complexa, efervescente, e forte, altamente atenuada; com características de notas frutadas (…) com preferência aos compostos fenólicos. Com sensação de boca frizante, altamente carbonatada; efervescente” (BJCP 2015).

Mas e as Brut IPAs?

Um Brut IPA da Magnolia Brewing. Fonte: timesunion.com

Bom, a primeira descrição que temos registro, veio da Cervejaria São Franscisco (SIC). Onde o cervejeiro, que sempre utilizava enzimas extras (para decompor quaisquer açúcares residuais do processo de mosturação) para tornar suas Stouts e Porters de corpo leve, sem diminuir o potencial alcoolico, se perguntou: “Que resultado daria se eu utilizasse a enzima numa cerveja mais acessível como uma IPA e de corpo leve, feita com maltes extremamente leves, podendo fazer uso de arroz em flocos ou milho para este fim?”.

 

Explicando rapidamente a questão da enzima:  a cevada passa pelo processo de malteação para ativar algumas enzimas no grão (isso já sabemos). Então quando adicionamos água ao malte, em temperaturas ótimas para a reativação dessas enzimas, elas trabalham transformando o amido em açúcar. Essas enzimas também quebram os açúcares complexos em açúcares mais simples, resultando em bastante açúcar para as leveduras consumirem mais facilmente e converter em álcool e CO2. Para um Brut IPA são adicionadas amilases extras para quebrar ainda mais os açúcares complexos residuais em açúcares simples,  e em seguida a levedura (com a digestão facilitada), faz seu serviço tornando a cerveja mais alcoólica e mais leve ainda.

As Brut IPAs são cervejas de cor clara, um corpo levíssimo, com final seco e consequentemente refrescante, com intensos e elegantes aromas de lúpulo frutados e florais (flores brancas principalmente) conferindo delicadeza. No mundo das IPAs, as brut IPAS basicamente soam como Session IPAs, porém, com o teor elevado de álcool de um IPA comum. Entende?

Também conhecidas como Hop Champagne, especula-se que a técnica permite que possamos admirar as nuances do lúpulo de forma única, uma vez que não há dulçor residual para confundir o paladar, já que o perfil do malte é muito baixo ou nulo.  É totalmente o oposto da proposta da melhor cerveja de todos os tempo da última semana, as New Englands rsrs.

Devido a este meu momento de maternidade, não estou fazendo uso de bebidas alcoólicas, e comprar uma Brut IPA para apenas degustar 1/8 de taça e descartar, seria um sacrilégio, não é mesmo? Então vou ficar devendo, mas a boa da semana é que a Cervejaria pernambucana Ekäut está produzindo uma Brut IPA de forma colaborativa com as cervejarias @5elementoscervejaria  @cervejariaraffe @caatingarocks @mindubier.

Então, em breve, teremos uma Brut da nossa terrinha para degustar! ❤  É legal ver isto acontecer, pois apesar de ser uma cerveja comercialmente cara devido as técnicas refinadas e uso de enzimas que não são nada baratas, esperamos que o “estilo” consiga atingir uma certa popularização no meio cervejeiro e nas prateleiras, afim de que seja incluída nos guias de apoio a cervejeiros caseiros (para a produção das mesmas) e sommeliers (para auxiliar na conceituação e serviço).

Soube que uma cervejaria americana está tentando expandir a técnica para uma uma base de pilsen, criando uma Extra Brut Pilsen, para evidenciar ainda mais a característica de limpa e extremamente leve, mas isso já assunto para outro post! kkkkk

Se a moda pega pelas bandas de cá, já já teremos uma nova candidata para a “bebida que pisca” nas baladas cervejeiras! 😀

Então é isso pessoal! Beijos extremamente carbonatados e lupulados!

Let’s rock com Caatinga Rocks no QMTP!

Por Clarice Concê

A gente pode até crescer sozinho, mas juntos somos muito mais fortes. Por isso é bom que é danado ver o movimento cervejeiro artesanal dando seus frutos em outros estados do Nordeste. E aí a gente só pode ficar com os olhinhos brilhando por receber uma cervejaria arretada do nosso vizinho Alagoas para enriquecer ainda mais nossa festa.

História

Lançada em fevereiro de 2017, a genuinamente alagoana Caatinga Rocks nasceu das panelas dos irmãos Marcus e Rafael Leal, que uniram a expertise administrativa de um com muito estudo cervejeiro de outro para transformar a paixão em um negócio.

A Caatinga Rocks possui quatro rótulos para lá de irreverentes que retratam bem a mistura do DNA nordestino com a revolução artesanal que acontece ao redor do mundo. O primeiro lançamento da cervejaria é uma Extra Special Bitter que na versão Caatinga Rocks virou a English Serelepe Brasileira, uma ESB com perfil balanceado, premiada com o ouro na categoria English Ales da I Copa da Cerveja POA e eleita cerveja do ano no mesmo campeonato. É para ficarmos todas serelepes com esse prêmio!

Para completar o time ainda temos a Pura Vida Surf Ale, uma cerveja é leve, refrescante e feita com casca de laranja orgânica; a Cangaço Kingdown, uma Double IPA com bastante aroma e sabor de lúpulo nobres americanos; e a Zumbi Republic, uma Imperial Stout mais tropical, com cacau, hortelã e coco queimado.

Foto: Alzir Lima para Stylife.com.br

É ou não é para ficar animada com as cervejarias que estão marcando presença no QMTP?! E tu tá esperando o quê para fazer parte dessa festa? Quer garantir seu ingresso ? O QMTP é hoje, mas ainda dá tempo. Então clica aqui e não fica de fora da festa mais esperada do ano, no calendário cervejeiro de Pernambuco.