Positive Vibe na Cerveja

Por Patrícia Sanches

A cerveja foi um divisor de águas na minha vida. Logo eu que vivia numa bolha social de pessoas com os mesmos valores e vivências parecidas; me deparei com uma diversidade de pensamentos, profissões, orientações políticas e sexuais, econômicas, religiosas (e sem religião), diferentes corpos e entendimentos sobre eles, diferentes gêneros e nem sempre respeito pelas especificações. Enfim, uma variedade sem tamanho. E aprender sobre tudo isso, de forma intensa, foi o maior ganho da cerveja pra mim.

A Confraria Maria Bonita Beer me salvou, me fez conhecer o mundo de verdade, em todas as suas nuances, cores e sabores. Porque ter acesso a visões diferentes da sua, te transforma! ❤

De 2009 pra cá, fiz muitas amizades, fizemos (mais de 100 mulheres) da Maria Bonita Beer um trabalho que alcançou algumas partes do país e se enraíza localmente com força, a cada ano. Com isso conseguimos impactar algumas garotas que hoje (trabalham, estudam, divulgam, fomentam cerveja). Pois, representatividade importa! E do mesmo jeito que os bônus vieram, alguns ônus também apareceram. Mas apesar de presentes (os ônus), eles não tem impacto significativo em quem somos e no que fazemos.

E o que eu quero falar com isso? 

“Para realizar uma ação positiva, devemos desenvolver aqui uma visão positiva.” – Dalai Lama

Temos presenciado algumas tretas cervejeiras nesse universo e a maioria delas é pautada em fazer o mal a alguém. As mais icônicas são as da Helles:  que consiste em notificar  judicialmente cervejarias que usem o estilo helles em seus rótulos e isso envolveu até o INPI; e a da cervejaria que não quer como clientes as pessoas que tem orientação sexual diferente das dos donos da cervejaria – o detalhe é que são caseiros, imagina se fossem registradas e com poder de marketing/influência.

Mas aí você pode pensar: ahhh mas é assim que eles ganham fama, são conhecidos.. é o marketing negativo que faz aparecer. Será? Será que é assim, sobre essa base de rancor que as coisas precisam acontecer?

PS: Essa frase não se aplica a situações de violência em que você esteja sendo vítima. Seja lá de qual tipo (psicológica, moral, física, sexual).

E se lembrarmos do case da cerveja manchinha? Diversas cervejarias do BRASIL se uniram para arrecadar fundos para a causa animal, em homenagem a um animalzinho que morreu de forma violenta. Ou do case Batom Vermelho (no qual a nossa confraria participou de forma importante) e que uniu cervejeiras do BRASIL para arrecadas fundos para a causa de proteção a mulher. Ou até mesmo da campanha local que estamos fazendo para arrecadas fundos para a nossa querida Regina (clique aqui para contribuir), que versa sobre vender camiseta, até mesmo fazer uma brassagem coletiva educativa para arrecadar fundos para o tratamento dela de câncer de mama – na causa do outubro rosa.

E mais uma vez, você pode se perguntar, o que eu quero falar com isso? 

Eu quero dizer, que a cerveja nasceu em vibe de união e não segregação. A cerveja sempre foi sobre estar junto e não estar só. Os grupos de cerveja que movimentaram o Brasil, tinha como pauta o compartilhamento, a colaboração. SEMPRE FOI ASSIM. E não há motivos para deixar de ser. A cerveja como hobby tem um poder incalculável. Mas a cerveja também é um negócio? Sim. E dos bons! Porém, não precisa ter impacto negativo. Não é pra ser assim.

“Depois de substituir pensamentos negativos por positivos, você começará a ter resultados positivos”.
– Willie Nelson

Tudo que a gente faz serve de exemplo. Não adianta ser o ativista da rede social, se quando você tem o poder nas suas mãos, você não faz a diferença. É muito mais sobre fazer, que falar! É muito mais sobre plantar sementes, do que colher as flores (pois este, é um caminho natural se você regou de forma certa). A cerveja e seu universo tão vasto e plural, precisa de bons sentimentos aliados a uma vibe positiva.

Façamos nosso trabalho, mas sem perder de vista quem somos e o impacto que causamos ou podemos causar no mundo. EMPATIA E BONS EXEMPLOS: é o que a cerveja precisa para inspirar, contribuir e compartilhar.

Empatia significa a capacidade psicológica para sentir o que sentiria uma outra pessoa caso estivesse na mesma situação vivenciada por ela. Consiste em tentar compreender sentimentos e emoções, procurando experimentar de forma objetiva e racional o que sente outro indivíduo.

“O pensamento positivo é mais do que apenas um slogan. Isso muda a maneira como nos comportamos. E acredito firmemente que, quando sou positivo, não só me melhora, mas também melhora as pessoas ao meu redor. ”- Harvey Mackay

Ahhhhh e parabéns a ACERVA PERNAMBUCO que nos lembra todo ano, por meio da Hoptoberfest, que cerveja é abraço, compartilhamento e união. QUE FESTA, minhas amigas! Que festa! ❤

Que tenhamos uma boa semana. Um brinde a vibe positiva que reverbera dentro de nós e espalha para o mundo.

Hoptoberfest 2019, simbora pra confra cervejeira do ano?

❤ Por Marias Bonitas

A gente espera o ano todinho para encontrar os(as) nossos(as) na Hoptoberfest – a confraternização dos cervejeiros pernambucanos (caseiros e cervejarias).

A HoptoberFest é realizada há 4 anos com notórios nomes da cerveja artesanal. E se consolidou como o evento mais esperado do ano pelos pernambucanos aficionados pelo pão líquido. É tempo de encontrar os amigos que compartilham dos mesmos hobbies, fazer e beber cerveja!

O evento, em 2019, que começou ontem, vai até 26 de outubro. Serão 2 dias de palestras, com um total de 6 convidados dispostos a trocar conhecimento e experiências, e um dia reservado para a festa. No sábado, a comemoração está garantida com premiações, música e, claro, muita cerveja.

Edições Anteriores

 Edições anteriores já obtiveram marcos como: 7 palestrantes  e 100 conferencistas no congresso técnico, 2100 L de cerveja e 670 participantes da festa cervejeira hoplover pernambucana.

Números impressionantes não é? ❤

2019

São esperados para o Congresso cerca de 100 pessoas para as palestras dos dois dias e cerca de 500 pessoas para a festa do sábado. Se liga na programação:

Sim, tem concurso!

Imagem: Julgamento de amostras em 2018
Imagem: Julgamento concurso estadual ACERVA PERNAMBUCO 2019.
Imagem: Julgamento concurso estadual ACERVA PERNAMBUCO 2019.

Dois dias antes da grande festa acontece o julgamento das amostras enviadas pelos cervejeiros caseiros para o concurso regional de cervejas, mas os ganhadores só são divulgados na noite lupulada da Hoptoberfest. Vocês lebram que a Maria Bonita também recebeu prêmio nas edições anteriores? (Dá uma olhada na coluna lateral do blog e confira nossos prêmios 😉 ). Parabéns às nossas meninas! ❤ E temos representantes esse ano também! uhuuu

O CONGRESSO

A semana já começa com um congresso técnico com convidados de alto nível, oferecendo dicas preciosas sobre produção ou serviço cervejeiro. Se liga no line-up!

Quinta 24/Outubro 18:45 Credenciamento

19:00-20:00 Douglas DME
20:00-20:15 Beer break
20:15-21:15 Débora Lehnen
21:15-21:45 Sebrae PE
21:45-22:00 Beer break
22:00-23:00 Marcus Dapper

Sexta 25/Outubro 18:45 Credenciamento

19:00-20:00 AnneGaldino
20:00-20:20 Beer break
20:20-21:20 Patrick Zanello
21:20-21:40 Beer break
21:40-22:40 Guilherme Macedo

Sábado 26/Outubro 13h Festa

18h Premiação

21h Encerramento

  • Palestrante: Guilherme Macedo (SãoPaulo)
    • Tema: Regularização de negócio 
  • Palestrante: Patrick Zanello (SãoPaulo)
    • Tema: Desmistificando o uso da Levedura 
  • Palestrante: Anne Galdino (Piauí)
    • Tema: Receita campeã
  • Palestrante: Debora Lehnen (Bahia)
    • Tema: Inovação em receita e processo
  • Palestrante: Douglas DME (Brasília)
    • Tema: Certificados para Sommelier: O que é BJCP e como se tornar um juiz?
  • Palestrante: Marcus Dapper (SãoPaulo)
    • Tema: Experiências com Blends e Maturação em Madeira

Endereço do congresso técnico:
Hotel Manibu
– Av. Conselheiro Aguiar, 919 – Boa Viagem, Recife – PE, 51011-031.

O que rolou ontem?

Fonte: Divulgação @acervapernambuco | @mundodabreja
Fonte: Divulgação @acervapernambuco | @mundodabreja
Fonte: Divulgação @acervapernambuco | @mundodabreja
Fonte: Divulgação @acervapernambuco | @mundodabreja
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Fonte: Divulgação @acervapernambuco | @mundodabreja
Fonte: Divulgação @acervapernambuco | @mundodabreja
Fonte: Divulgação @acervapernambuco | @mundodabreja

A FESTA

Esse ano, a festa acontecerá junto aos fermentadores! A Cervejaria Debron nos receberá para finalizarmos nossa HoptoberFest em grande estilo.

Na festa, com openbar de cervejas e água, teremos a divulgação dos vencedores do concurso.

Música

A música ficará por conta das atrações:

Endereço: Cervejaria Debron – Estrada da Batalha, 1832 – Prazeres – Jaboatão dos Guararapes.

Por ser uma confraternização de cervejeiros caseiros, torna-se a maior concentração de amantes de hop (lúpulo, em inglês) em linha reta de Pernambuco. Por isso: HOPtoberfest!

Se liga naquele resumo mara, pra não perder nenhum detalhe:

  • 24 e 25 de outubro | 19h às 22h | CONGRESSO| Hotel Manibu – Av. Conselheiro Aguiar, 919 – Boa Viagem, Recife – PE, 51011-031
  • 26 de outubro | 14h às 22h | FESTA / PREMIAÇÃO DO CONCURSO | Cervejaria Debron.
  • Ingressos: https://www.sympla.com.br/hoptoberfest-2019__652537

Evento para maiores de 18 anos.

Carvalheira e Shopping Recife estreiam o BierCarva


❤ Por Marias Bonitas

Evento incrível para o final de semana? TEMOS!

Primeira edição do BierCarva reúne 11 das principais marcas de cerveja do mundo

O Biercarva evento promovido pelo Shopping Recife e a agência Carvalheira reunirá 11 cervejarias do Brasil e do mundo no Parque de Esculturas do mall, a partir das 15h.

Pilsen, IPA, Lager, Blonde… São diversos os tipos de cerveja para apreciar. E os amantes da bebida vão poder experimentar essas e tantas outras categorias no dia 19 de outubro, data marcada para a primeira edição do BierCarva.

O BierCarva será uma oportunidade inédita para disseminar a cultura cervejeira e fazer o consumidor experimentar novos sabores. Ao todo serão mais de 40 rótulos. A Cervejaria Ambev estará presente com marcas premiadas como a paulista Colorado, e a mineira Wäls. Onde presenciaremos o lançamento da cerveja Morena Tropicana. Se liga no teaser:

Entre as importadas, a Ambev levará para o evento rótulos da Goose Island, Kona, Hoegaarden, Leffe, Franziskaner e Patagônia.

As cervejarias pernambucanas também terão espaço no evento. Entre as locais, estarão as DeBron, Ekaut e Capunga.

https://www.instagram.com/p/B3eqn83gvw6/?igshid=1mijhc7wyjqwv

https://www.instagram.com/p/B3uWVufpgg5/

No quesito gastronômico, o evento contará com a hamburgueria Dom Black; o novo empreendimento da cidade de hot dog e linguiças artesanais Frankhaus. E comandado pelo chef Léo Macedo, o Mr. Smoke BBQ vai montar uma estação, semelhante a da ChurrasCarva, para preparar o famoso American Barbecue.

A música ficará por conta das bandas Amy Reggaehouse, Maraca Band, No Money For Cash e DJ Damata. Além do open bar de cerveja, o BierCarva também oferece open de destilados, refrigerantes e água.

Super completo né? Então segue aqui um resumão:

BierCarva Shopping Recife
Data: 19/10
Horário: 15h
Local: Parque das Esculturas Shopping Recife
Ingressos: http://www.padraocarvalheira.com.br

Nos vemos lá? Beijos carbonatados!

Visita à Cervejaria – Ateliê Wäls

❤ Por Nadhine França

Ateliê Wals

Ateliê Wäls é daqueles lugares incríveis que você não esquece. A arquitetura,  premiada como o melhor trabalho de arquitetura na categoria restaurantes – etapa América do Sul, Central e Caribe – do Prix Versailles 2018 reconhecido pela Unesco e pela União Internacional dos Arquitetos, é muito impressionante aos olhos. Possui uma vista incrível e suas curvas harmonizam perfeitamente com o relevo e pôr do sol local. Após descer pelo elevador, o espanto continua são 135.482 rolhas utilizadas na decoração, fazendo uma linda cortina que conjuga com a arquitetura.

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O Ateliê possui 21 torneiras das cervejas clássicas da Wäls à experimentos feitos na cervejaria. Fui recebida pelo cervejeiro da casa, o Célio Gutstein tem uma história muito ligada à cerveja, desde de criança acompanhava seu avô nas brassagens e fala com muito amor sobre o líquido sagrado. O desafio dele, hoje, é criar receitas cada vez mais inovadoras e levar o nome da Wäls para os melhores concursos. Ele me apresentou a maior e mais completa barrel room da América Latina, degustei algumas das novidades no tanque… foi uma experiência completa. ❤

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Além dos barris de madeira, ainda tem dornas, que são estruturas de madeira que por terem uma menor superfície de contato com o líquido, passam as características da madeira de forma mais suave.

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Degustar do tanque é mais gostoso né!

zwickel ou rabo de porco é essa saída colocada na torneira do fermentador para conseguir controlar com mais facilidade a saída da cerveja.

Pra quem quiser conhecer o sonho do José Felipe e Tiago Carneiro, que rodaram o mundo conhecendo cervejarias, o Ateliê da Wäls possui um visita guiada, nas quintas e sábados com agendamento pelo site. O Célio vai atender a todos com maior prazer.

 

Beijos de pão de queijo!

Stout – Paixão Britânica que Ganhou o Mundo

❤ Por Mel Sobral

Oláaa Cervejeiros! 

Falar sobre Stout e não falar sobre Porter é quase impossível. Claro que atualmente ela é uma estrela e brilha sozinha, mas nem foi sempre assim. Nasceu como subcategoria, derivada da Porter. Na verdade, a palavra “stout” era apenas para dizer que “aquele estilo é mais forte”.

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História

Era a “porter mais forte”. No séc. XVIII, nos bares portuários de Londres, era comum misturar cervejas de barris com idades diferentes: eram as famosas three threads (três tipos). Elas se tornavam uma única cerveja e o preço era mais baixo, faziam o maior sucesso! A mistura era feita na maioria das vezes com Ales (Cerveja Clara) e um dia isso mudou! O que acontece quando a cerveja mais barata do bar, vira a queridinha? – Bomba!! – E foi por um FELIZ ENGANO que ao invés de Ales, decidiram acrescentar as Porters nas misturas. Não era uma medida exata, mas as misturas foram ganhando fãs, pois era a melhor combinação com o menor custo. E quanto mais escura e menos doce, saía mais, porque era assim que os porters (funcionários portuários ingleses) gostavam da bebida. Então aquela Porter Stout, acabou virando com o passar dos anos, a nossa GOXXTOSA e MARAVILINDA Stout! 

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Imagem: http://www.beersmith.com

É normal associarmos Stouts à Guinness, isso porque naquele mesmo século, mais precisamente em 1880, a cervejaria irlandesa tornou-se a maior cervejaria do mundo e com a STOUT estampando os comerciais da época, também ganhou, como na Inglaterra, o amor dos irlandeses! Depois perderam o posto de maior cervejaria para os Americanos, mas nunca deixaremos de associar esse estilo amado a ela.

 

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Imagem: https://freesider.com.br

CURIOSIDADES
Você Sabia: No final do século XVIII, mesmo período em que as cervejarias viravam empresas enormes, ganhando cada dia mais espaço em negócios, o papel da mulher cervejeira ia se esvaindo? Sim, a mulher teve um grande papel no mundo cervejeiro até aí. Podemos ver registros de 4.000 a.C. Na Babilônia, mulheres cervejeiras tidas com dons divinos, por produzir cervejas ou mais tarde, na idade média, uma mulher cervejeira era mais importante do que o seu dote. Um pouco antes desse “boom” comercial cervejeiro expandir, as cervejas eram renda extra de famílias, pelas mãos das mulheres. As famosas Tabernas eram no início, as salas das casas dessas famílias que tinham mulheres cervejeiras. Mas isso já é outra história para outro dia! 😉

Características do estilo

Sobre as características das cervejas Stouts, posso afirmar que nem toda cerveja escura é igual e nem toda Stout também. A família Stout tem como características as cores escuras, pretas; aroma de malte tostado, café, chocolate (por causa da torrefação dos seus maltes), frutas escuras secas, lúpulo de amargor; espumas consistentes que vão do bege claro ao escuro. O estilo tem vários sub estilos, entre eles o meu preferido: Russian Imperial Stout – opaaa! Mas como assim, “Russian” ? Quando Pedro, O grande, visitou a Inglaterra no século XVII, gostou tanto que levou consigo para Rússia muitos trabalhadores com ofícios diversificados. Foi assim que as Ales chegaram na Rússia e séculos depois receberam como presente um lote de Stout e a paixão floresceu, gerando a RIS: cerveja de corpo alto, cor preta e na maioria das vezes, espuma espessa e bege. Outros sub estilos são a Oatmeal Stout, cerveja de corpo alto que leva aveia; American Stout; Sweet Stout e a Irish Stout ou Dry Stout (Guinness). 

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Imagem: http://www.debronbier.com.br

Cerveja amada por todo o mundo cervejeiro, ganhou uma legião de fãs no Brasil que em cada canto dele inova, colocando sua regionalidade. Foi assim que em Pernambuco, uma cervejaria de Recife ganhou prêmio como Melhor Cerveja Imperial Stout do mundo, no prêmio WBA (World Beer Awards), em 2018. A Cervejaria Debron com sua receita de Imperial Stout com adição de Nibs de Cacau e Rapadura, levou o prêmio para casa. A Cervejaria Ekäut, ganhou destaque no mesmo concurso com suas Stouts e levaram prêmios na etapa nacional, com a Coffee Stout, recebendo a medalha de prata e a Extra Stout, a medalha de bronze. 

Porém, não precisa ser premiada para ser boa: aqui temos outras cervejarias fazendo Stouts excelentes e com drinkability alto, é o caso da Cervejaria Manguezal com a Coffee Stout e a Cervejaria Duvália com a Stout Mel de Engenho. 

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Imagem: http://www.chocolatemoosey.com

Deixei vocês curiosos para provar essas maravilhas da minha cidade natal? Espera eu te dizer um causo que aconteceu comigo, algo que acontece quando você acerta uma harmonização com cerveja – e olha que a Stout não precisa de muito! Há alguns anos, fui surpreendida com a minha primeira e simples harmonização com Stout: com uma barrinha de chocolate 70% cacau e um gole, quase escapuliu um – EU TE AMO! – para quem estava me servindo. Sim, quase! Se eu o conhecesse bem, talvez falasse com a boca cheia!

 

Então meus amigos, com um pequeno pedaço de chocolate e um gole de uma Stout bem feita, é possível ter sentimentos únicos, e garanto: você vai sempre querer terminar uma degustação com ela e talvez a apelide, como eu, de SOBREMESA! ❤

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Mel Sobral
Arquiteta, Influenciadora Digital no @melsobral.beer 
e eterna amante da cerveja.

Gose: a volta do que não deveria ter ido!

❤ Por Thalita Cacho

Gose

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A cerveja sour invadiu o mercado brasileiro de cerveja artesanal com seus sabores ácidos e suas mil possibilidades de combinações. Confira abaixo tudo sobre Gose, um estilo histórico que mistura o ácido e o salgado e juntos formam uma cerveja fora da curva!

 

História

im31_gose_308x200A Gose tem uma história milenar originada na cidade de Goslar, no Centro-Norte da Alemanha. Lá passa o rio Gose, que deu origem ao nome da cidade e deste peculiar estilo de cerveja. A região de Goslar era um importante polo minerador alemão, tendo grandes reservas de cobre, zinco, chumbo, prata, e sal. E a água do rio Gose continha alto teor deste minerais, o que a deixava salgada. Sendo também um polo cervejeiro, a água do rio era utilizada para a produção de cerveja, que consequentemente ficava levemente salgada. Essa cerveja também era muito apreciada na cidade de Leipzig, e à medida que as reservas mineirais de Goslar foram se exaurindo, o pessoal de Leipzig começou a produzir cada vez mais este estilo de cerveja. Ela ficou tão popular por lá que a Gose passou a ser associada com a cidade desde então. É interessante ressaltar que os habitantes de Goslar consideram Gose, apenas a cerveja feita em sua cidade e a cerveja feita em Leipzig é chamada de Leipzig Gose.

Assim foi até a Segunda Guerra Mundial, quando o estilo Gose quase foi extinto, ressurgindo apenas após a reunificação da Alemanha no final dos anos 1980. Depois disso, além das cervejarias alemãs, também os americanos como os cervejeiros da Anderson Valley revitalizaram esta cerveja histórica. Originalmente, ela era uma cerveja de fermentação espontânea, mas hoje os cervejeiros conseguem produzir o mesmo resultado final usando uma combinação de levedura de alta fermentação e bactérias lácticas. A Gose é feita com mais de 50% de malte de trigo, e usa em sua receita coentro, sal e especiarias. O resultado é uma cerveja complexa, ácida e refrescante.
É um estilo que divide opiniões, mas que com certeza merece ser provado.

Aprendendo um pouco mais

A Escola Alemã
A escola cervejeira alemã foi influenciada por importantes fatos históricos como guerras e revoluções. A escola alemã sempre esteve na vanguarda em relação às tecnologias para produção de cerveja, incluindo as técnicas de baixa fermentação e isolamento de leveduras. Apesar dessa vanguarda, é uma escola tradicional, guiada pela Lei de Pureza Alemã ou Reinheitsgebot, que permitia apenas a adição de água, malte e lúpulo, e posteriormente a levedura como ingredientes. Essa Lei foi criada em 1516, por Guilherme IV, Duque da Baviera e continha uma série de orientações legais sujeitas, em caso de descumprimento, às punições previstas na Lei. A Lei de Pureza também foi a forma encontrada na época para garantir a qualidade da cerveja e evitar falsificações, mas também garantir a produção de alimentos, sendo o trigo destinado para a produção de farinha e seus derivados e a cevada para a produção de cerveja.

Outros marcos importantes foram o início da fabricação dos copos de vidro, onde o consumidor passou a dar mais importância ao aspecto visual da cerveja e a invenção do refrigerador. Com isso, aliado a expertise no isolamento de leveduras, as cervejas tipo lager, geralmente mais límpidas ganharam popularidade na Alemanha. A maioria das cervejarias ainda segue a Lei de Pureza.

Na Alemanha, é muito comum cada cidade ou vila ter a sua própria cervejaria, o que muitas vezes garante maior qualidade da cerveja. Entretanto, essa grande quantidade de produtores locais também gera uma forte rivalidade entre as regiões que, muitas vezes, são associadas aos estilos de cervejas produzidos.
De maneira geral, as cervejas alemãs possuem um caráter maltado, com lúpulos florais e amargor acentuado, com leveduras mais neutras, com exceção das cervejas de trigo, onde a levedura é predominante. No norte da Alemanha as cervejas são mais secas e lupuladas. Já no sul, elas apresentam um caráter mais maltado e encorpado.

Descrição do Estilo de Acordo com o BJCP 2015

  • Impressão Geral: Cerveja de trigo altamente carbonatada, ácida e frutada, com um carácter restrito de sal e coentro e baixo amargor. Muito refrescante, com sabores vivos e alta atenuação.
  • Aroma: Leve a moderado aroma de frutas de caroço moderada. Leve acidez, mas um pouco aguda. Aroma notável de coentro, o qual pode ter um cheiro característico de limonada e uma intensidade elevada a moderada. Um leve caráter de pão, de levedura como massa de pão fermentada sem cozinhar. A acidez e o coentro podem causar uma impressão brilhante e viva. Sal, se for significativo, pode ser percebido ligeiramente, com um caráter de brisa marinha ou somente como frescor em geral.
  • Aparência: Não filtrada, com uma turbidez moderada a plena. Cor amarelada. Espuma branca de altura moderada a alta, com definidas bolhas e boa retenção. Efervescente.
  • Sabor: Moderado a comedido, mas com acidez perceptível, como algumas gotas de limão no chá gelado. Moderado sabor de malte como massa ou pão. Leve a moderado caráter de frutas de caroço, frutas de sementes ou limões. Leve a moderado sabor de sal, até o limiar de percepção. O sal deve ser perceptível (particularmente no gosto inicial), mas não deve ter um sabor muito salgado. Baixo amargor, sem sabor de lúpulo. Final seco completamente atenuado com a acidez e sem os lúpulos no balanceamento com o malte. A acidez pode ser mais perceptível no final e, assim, melhorar a qualidade de refrescamento da cerveja. Acidez deve ser equilibrada e não se sobrepor (embora as versões históricas têm sido bastante acres).
  • Sensação de Boca: De alta a muito alta carbonatação, efervescente. Corpo médio-leve a médio-alto. O sal, se percebido, pode causar um leve formigamento, com uma qualidade de fazer água na boca. A levedura e o trigo podem dar-lhe um pouco de corpo, mas não deve ser um sensação pesada.

Harmonização

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Imagem: Clube do Malte

Uma cerveja complexa, ácida e refrescante como essa combina perfeitamente com alimentos leves como saladas, peixes, frutos do mar, queijos leves e leguminosas. Um Ceviche de frutos do mar e limão siciliano é ideal, pois a sensação de frescor do mar se complementa com o sabor ácido e salgado desta cerveja. Uma torta de Aspargos, Queijo de Cabra e a Gose se complementam de forma única, onde o toque de coentro e sal elevam a experiência e formam um conjunto fantástico.
Como pode se constatar, as Cervejas Gose são as mais antigas e seu resgate histórico tem sido uma renovação para o mercado cervejeiro, a leveza, sutileza e refrescância nos sabores desse estilo trazem inovação para a mesa e o copo do público e harmonizam perfeitamente com a sede de novidades! Um Brinde às Gose!

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Imagem: El Gose Beergarita – Craft Beering

Como Servir uma Gose

Em Leipzig, também é muito comum o consumo da Gose misturada com alguma outra bebida. As misturas mais tradicionais são xarope de framboesa, licor de cereja e suco de banana.
Para uma melhor apresentação e maior apreciação, uma Gose deve ser servida entre 5°C e 7°c em um copo do tipo Stange, Weizen ou Goblet.

 

Exemplos Comerciais:

  • Old Pro da Union Craft Brewing Company
  • Blood Orange Gose da Anderson Valley Brewing Company
  • Kirsch Gose da Victory Brewing Company
  • Hibiscus Gose da Boulevard Brewing Company
  • Otra Vez da Sierra Nevada Brewing Company
  • Brombeere Blackberry Gose da Odell Brewing Company
  • Verloren da Boston Beer Company
  • Jammer da SixPoint Brewery
  • CDB da Morada Cia Etílica
  • Twist & Sour Gose da Caatinga Rocks & Dádiva
  • Flip-Flops To Heaven da Narcose, Suricato Ales, 4 Island Brewing & Freigeist Bierkultur
  • Gose de Frutas da Bodoque Cervejaria
  • Gose Salva da Salva Craft Beer
  • Gose Himalaia da Cervejaria Biertal
  • Salicórnia da Lohn Bier
  • Félix Culpa da Dogma
  • Salar Uyuni Gose da Perro Libre
  • Tropical Gose da Way Beer
  • Ático da Cervejaria Tupiniquim
  • Moon Dance da Cervejaria Dádiva
  • Goiabinha da Suricato Ales
  • Margarita da Edge Brewing
  • Danke da Cevada Pura

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Essa é uma excelente cerveja para começar a fazer agora e degustar no Que malte pergunte 2020, que tem o tema: “QUE MALTE PERGUNTE, TEM CERVEJA NA FLORESTA?”. Quer saber mais sobre essa festa que agita a comunidade cervejeira em Pernambuco? Clica aqui. Já tem data, hora e local para acontecer.
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Por Thalita Freire Cacho



Sommelière de Cervejas e Técnica Cervejeira pelo Science
of Beer, World Beer Academy, Siec & Instituto Cervezas 
da América com Especialização em Harmonizações Cervejeiras 
e Mixologia com Cervejas pelo SENAC-SP; Mixologista e 
Bartender pela Cocktail Brasil,Associada da Acerva 
Potiguar-RN, Cervejeira Artesanal pelo Senai-RN, 
Coordenadora de Ensino da Science of Beer Institute em Recife-PE. 
Estudante da Universidade Unicesumar no Curso Superior 
de Tecnologia em Produção Cervejeira. Confreira da Maria Bonita Beer. 
Juíza Cervejeira em Concursos Nacionais e Internacionais. 
Atua como Sommelière de Cervejas e Bartender do 
Beerdock Recife em Boa Viagem.

 

 

A cerveja está gelando em homenagem a São João

❤ Por Lucy Cavalcante

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Eita chegou o São João, acende a fogueira do meu coração! Enfim a festa mais esperada do ano (depois do carnaval, é claro!). Seguindo o mesmo lema do samba, a pessoa que não gosta de forró, bom sujeito não é! Aquele rala bucho, aquele friozinho, o calor da fogueira, as comidas…ahhh as comidas típicas, sempre deixam todo mundo babando.
Então nada melhor do que juntar esse amor com outro amor, cervejas! ❤
Quem nunca foi numa festinha de São João e sentiu vontade de ter uma boa cerveja disponível pra acompanhar aquelas comidas maravilhoooosas?!

História

Antes de partirmos para as harmonizações, vamos aprender um pouco mais sobre nossa cultura nordestina/brasileira, saber quem são os protagonistas dessa festa que tanto adoramos. 🙂

Quem danado foi São João?

Na cultura popular brasileira, as festas juninas têm lugar especial, pois, além de valorizarem as tradições locais do país, também revelam muitos elementos históricos, religiosos e mitológicos curiosos, que passam despercebidos. Tais festas, como é sabido, seguem o calendário litúrgico da Igreja Católica, que, no processo de assimilação dos antigos cultos pagãos europeus – na transição da Idade Antiga para a Idade Média –, acabou por substituir os rituais dedicados aos deuses médio-orientais, gregos, romanos e nórdicos por festas dedicadas aos santos.

Havia, na segunda quinzena do mês de junho, quando ocorria o solstício de verão na Europa, o culto a deuses da natureza, das plantações, colheitas etc. Um desses deuses era Adônis, que, segundo o mito grego, foi disputado por Afrodite (deusa do amor) e Perséfone (deusa dos infernos). A disputa foi apaziguada por Zeus, que determinou que Adônis passaria metade do ano com Afrodite, no mundo superior, à luz do Sol, e a outra metade com Perséfone, no mundo inferior, nas trevas.

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Essa disputa entre deusas acabou sendo associada aos ciclos naturais da vegetação, que morre no inverno e renasce e vigora na primavera e verão. O culto a Adônis, cujo dia específico era 24 de junho, tinha por objetivo a celebração dessa renovação, da “boa-nova” do renascer da natureza. Essa ideia foi assimilada pelo cristianismo, que substituiu Adônis por São João Batista.

São João Batista, na tradição cristã, anunciou a “boa-nova” (boa notícia) da vinda do Cristo, filho de Deus, salvador da humanidade, que “renovaria todas as coisas”. Foi ele também que batizou Cristo no rio Jordão. Da história de São João, a cultura popular europeia retirou vários símbolos, que passaram a se mesclar com os tradicionais ritos de colheita remanescentes do culto a Adônis. Um dos símbolos mais importantes é a fogueira.

História da fogueira, que você gosta tanto de pular!

A fogueira, característica das festas de São João, tem seu fundamento na história do nascimento de João Batista. A fogueira era um sinal de Santa Isabel, mãe de São João, para Maria, mãe de Jesus. Abaixo segue uma sinopse da história, adaptada pela pesquisadora Lúcia Rangel:

Dizem que Santa Isabel era muito amiga de Nossa Senhora e, por isso, costumavam visitar-se. Uma tarde, Santa Isabel foi à casa de Nossa Senhora e aproveitou para contar-lhe que dentro de algum tempo nasceria seu filho, que se chamaria João Batista.

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Nossa Senhora então perguntou:
— Como poderei saber do nascimento dessa criança?
— Vou acender uma fogueira bem grande; assim você poderá vê-la de longe e saberá que João nasceu. Mandarei também erguer um mastro com uma boneca sobre ele.

Santa Isabel cumpriu a promessa. Certo dia Nossa Senhora viu ao longe uma fumaceira e depois umas chamas bem vermelhas. Foi à casa de Isabel e encontrou o menino João Batista, que mais tarde seria um dos santos mais importantes da religião católica.


(“A lenda do surgimento da fogueira de São João”. In: RANGEL, Lúcia H. V. Festas juninas, festas de São João: origens, tradições e história. São Paulo: Publishing Solutions, 2008. p. 35).

Olha o forrózin!

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No caso específico do Brasil, a prática do acendimento da fogueira na noite de 23 para 24 de junho foi trazida pelos jesuítas. Tal prática foi com o tempo associada a outras tradições populares, como o forrobodó africano (espécie de dança de arrasta-pé), que daria no forró nordestino, e a quadrilha caipira, que herdou elementos de bailes populares da Europa – palavras como “anarriê”, “alavantú” e “balancê”, por exemplo, são adaptações de termos de bailes populares da França.


Fonte: FERNANDES, Cláudio. “Origem da festa de São João”; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/detalhes-festa-junina/origem-festa-sao-joao.htm. Acesso em 19 de junho de 2019.

Harmonizações juninas

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Como em boa parte do país, onde se comemoram as festas de São João, São Pedro e Santo Antônio, é inverno, as temperaturas mais baixas “pedem” cervejas mais alcoólicas e com mais corpo, que podem ser servidas entre 6 e 8 graus. A temperatura é um fator de extrema importância para o serviço e melhor aproveitamento da experiência cervejeira, acompanhada ou não de comida.

Salgados

  • Milho e Pipoca
    Podendo ser cozido, assado ou “estourado”, o milho combina bem com uma manteiga derretida, fica muito delícia! Pra acompanhar pode ser uma American Pale Ale (APA), Amber Ale ou uma Session India Pale Ale (Session IPA). Essas cervejas tem um teor de amargor considerável, ajudam na limpeza do palato, quebrando as gorduras.

Doces

  • Pamonha, Canjica, Munguzá, Bolo de Fubá, Brigadeiro de milho verde
    Reunindo as comidas de milho , onde prevalecem os doces residuais do milho e das adições de açúcares primários, cervejas mais escuras harmonizam bem, podendo ser: Bitter, California Common, Brown Ale, Baltic Porter, Dry Stout, Stout.
  • Pé de Moleque, Paçoca, Amendoim Doce, Bolo de Amendoim
    Comidas com adição de amendoim combinam bastante com cervejas com notas carameladas, produzindo um terceiro sabor interessante. Vale a pena degustar com: Dubbel, DoppelBock, Dark Strong Ale, Barleywine, imperial Stout.

Enfim, espero que vocês aproveitem bastante das dicas e antes de mais nada, se divirtam, comam, bebam e dancem muito forró!!! ❤

Xeros saracutiantes!

Belgian Dark Strong Ale – O lado bom da força!

❤ Por Gabriela Muller

belgian-dark-ale-socialUm estilo de cerveja Belga, potente e rico em sabor, ao mesmo tempo suave e muito perigosa. Uma Belgian Dark Strong Ale é uma cerveja complexa em sabores com dulçor de malte e frutas escuras bastante perceptível. De coloração âmbar a marrom acobreado são produzidas utilizando uma receita (nem sempre) complexa de grãos, lúpulos ingleses, leveduras belgas e xarope de açúcar caramelizado contribuindo para sabor e aromas e resultando em um corpo leve.

Estatísticas Vitais:
OG 1,075 – 1,100 (18,2 – 25,9 °P)
COR 12 – 22 SRM | 24 – 43 EBC
FG 1,010 – 1,024 (2,6 – 6,1 °P) ÁLCOOL 8,0 – 11 % ABV
IBU 20 – 35

Exemplos comerciais:
Achel Extra Brune, Boulevard The Sixth Glass, Chimay Grande Réserve, Gouden Carolus Grand Cru of the Emperor, Rochefort 8 & 10, St. Bernardus Abt 12, Westvleteren 12.

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História

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Imagem: Westvleteren 12

Não existem relatos históricos referentes a criação desse estilo de cerveja, que na verdade não é um “estilo” de cerveja, mas sim a uma série de diversas interpretações de cervejarias independentes que faziam suas receitas. O principal relato histórico é a produção dessas cervejas na região de Mechelen, uma cidade pertencente a província de Antuérpia. As cervejas eram fervidas por 10 a 12 horas e um terço da cerveja maturada por longos anos era misturada com cervejas novas, para conferir um certo “sabor” as cervejas, porém muito longe da linha das Flanders. É uma designação que cervejeiros e bebedores usam para agrupar cervejas de estilo belga que são maiores que dubbels e mais escuras do que tripels, então há muito espaço para variação e experimentação. O que significa que esta categoria é um terreno fértil para homebrewers. Aqui vai algumas dicas para você fazer a sua receita.

 

Receita

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  • Malte: De acordo com Stan Hieronymus no livro Brew Like a Monk, muitas das melhores cervejas belgas escuras (como Westvleteren 12, St. Bernardus 12 e Rochefort 10) são construídas sobre uma base que é quase inteiramente de Pilsner e / ou maltes claros. Para o caráter de malte, tente mantê-lo bastante simples, ou os sabores podem ficar confusos. Complexidade não significa ter uma cerveja que tenha gosto de tudo o que se possa imaginar, por isso tente manter o foco. Uma pequena porção de malte de Munique ou aromático pode adicionar caráter de malte ou de caramelo. Especial B fornecerá uma qualidade de passas e CaraMunich pode adicionar notas de ameixa e cerejas. Evite grãos torrados escuros. Uma porção de aveia ou malte de trigo é sempre bem vinda para melhorar a retenção de espuma nessa cerveja tão potente.
  • Açúcar: a utilização de açúcar de cana ou beterraba é muito comum, para aumentar o teor alcoólico e secar bem a cerveja. Utilize candi sugar ou açúcar caramelado para aumentar a complexidade de sabor e adicionar cor.
  • Lúpulo: nessa cerveja o lúpulo realmente não faz parte do elenco principal. Utilize lúpulos com amargor limpo, geralmente no início da fervura. O equilíbrio do malte é dado pelo álcool e não lúpulo. Na relação BU:GU temos algo em torno de 1:3. Caso queira inserir sabores diferentes na sua cerveja, pode deixar o lúpulo Saaz paraadicionar ao final da fervura.
  • Leveduras: você terá que usar leveduras Belgas (meio óbvio né?!!). Procure leveduras que tolerem altas concentrações de álcool e matenham o equilíbrio entre fenóis e ésteres. Particularmente eu gosto da Farmhouse Saison, que irá secar bem a cerveja e trazer uns codimentos interessantes. Outra opção é a Abbey Ale, que deixará a cerveja mais limpa, com foco em malte e álcool e delicados ésteres. O importante é: utilize leveduras saudáveis e não economize na quantidade. Esse extrato precisa de muita levedura para ser consumido. Oxigene bravamente o mosto e faça uso de nutrientes, as suas queridas leveduras irão agradecer.
  • Fermentação: Mesmo sendo um estilo belga, o controle da temperatura de fermentação é fundamental, devido ao potencial alcóolico da cerveja. O controle de temperatura evita os seus 10% de álcool virarem solvente, adstringente ou gerem aquecimento, e ainda permite o desenvolvimento de um perfil sensorial com ésteres e fenóis em equilíbrio. Inicie a fermentação a 20°C e após dois terços da atenuação prevista, suba a temperatura para 22°C.

Como esse estilo permite diversas variações, aproveite e experimente. Quem sabe frutas? Cerejas ou frutas vermelhas se encaixam perfeitamente com os sabores de malte. E outras leveduras? Também. Pode-se tentar fermentações mistas com leveduras belgas e Brettanomyces ou fermentações secundárias com Brettanomyces após a adição das frutas. A melhor cerveja desse estilo que eu fiz foi uma colaborativa entre as meninas da Acerva Catarinense em 2017, onde utilizamos uma fermentação mista com Farmhouse Saison + Brettanomyces bruxelensis e adição de 20% de frutas vermelhas (mirtilo, amora e framboesa) após a fermentação primária ter finalizada. Após estabilizar o extrato da fermentação secundária a cerveja foi para garrafa com mais Bretta, e restam ainda 04 garrafas dessa cerveja, uma para cada março., até 2023.

Momento fofura do post ❤

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E para finalizar, segue a fotenha do meu Dark Strong!!! Não tem como não amar,  cerveja também!!

Referências:

– Brewing Classic Styles, Jamil Zainasheff and John J. Palmer. 2007. Brewers Association.
– Designing Great Beers. Ray Daniels. 2000. Brewers Association.
– BJPC 2015.
– Brew Like a Monk: Trappist, Abbey, and Strong Belgian Ales and How to Brew Them. Tim webb and Stan Hieronymus. Brewers Association.
– Brew You Own. http://www.byo.com

Essa é uma excelente cerveja para começar a fazer agora e degustar no Que malte pergunte 2020, que tem o tema: “QUE MALTE PERGUNTE, TEM CERVEJA NA FLORESTA?”. Quer saber mais sobre essa festa que agita a comunidade cervejeira em Pernambuco? Clica aqui. Já tem data, hora e local para acontecer.
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Gabriela Müller



Sócia-proprietária da empresa LEVTECK TECNOLOGIA VIVA 
Farmacêutica, mestre em Biotecnologia, doutora em Bioquímica
Professora na Escola Superior de Cerveja e Malte em Blumenau

Dia dxs Namoradxs cervejeirxs: dicas de locais para bebemorar esse dia!

❤ Por Julyana Alecrim

Na semana que se comemora o dia dxs namoradxs, a confraria Maria Bonita Beer não iria deixar vocês na mão. Trouxemos sugestões de “rolês” cervejeiros para vocês curtirem “juntos e shallow now” esse dia. ❤

Dica 1: RECIFE ANTIGO

BABYLON STATION

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Para quem procura uma área mais central, com uma maravilhosa vista do mar, nós sugerimos os armazéns do porto. Lá você encontra uma boa variedade culinária, de quebra, ainda conta com uma vista privilegiada da cidade e depois, você poderá dar uma passada no novo Babylon 
Station, primeiro Burger & Beer do Recife Antigo, com os chopes artesanais da Babylon e cervejarias parceiras.

Babylon Station
Endereço:
Rua Alfândega, 35 Loja 110 do Shopping Paço Alfândega – Recife, PE, 50030-030

Dica 2: ZONA SUL

EKAUT LAB

Para quem mora na Zona Sul da cidade, temos uma dica maravilhosa!!!! O Ekäut Lab está promovendo um menu EXCLUSIVO para o dia dxs namoradxs, uma experiência sensorial inesquecível com cardápio especial harmonizado com as melhores cervejas do tap. O Lab funcionará neste dia, apenas com reservas para atender os “crushs”.
O menu do dia dxs namoradxs contém: 2 entradas, 1 prato principal e 1 sobremesa. Para cada prato o Beersommelier da casa harmonizará uma cerveja especial.
WhatsApp Image 2019-06-10 at 17.39.49Segue o link para compra antecipada do ticket com descontos especiais para mais de um casal.
https://www.sympla.com.br/ekautlab

Ekäut Lab
Endereço: Av. Conselheiro Aguiar, 3572 – Boa Viagem, Recife – PE, 51020-021

ENTRE AMIGOS PRAIA

Outra opção na Zona Sul é o Entre Amigos Praia. Nossa, para quem conseguir pegar o pôr-do-sol no terraço do restaurante, isso já valeu o rolê! Coqueiros a perder de vista, brisa fresquinha e cheiro de maresia, um marzão de água verde e o sol se pondo. É bonito de verdade! Para harmonizar com essa cena linda, nada melhor que a Moqueca de peixe com arroz de coco, farofa de banana da terra com castanha-do-Pará e pirão.
É de comer rezando, e isso acompanhado de uma Witbier é de ajoelhar! Lá eles servemWhatsApp Image 2019-06-10 at 17.39.47 todos os rótulos da cervejaria Debron, que hoje conta com mais de 7 opções, capazes de promover uma harmonização que vai da entrada até a sobremesa. Vale muito a pena conferir!

Entre Amigos Praia
Endereço:
Av. Boa Viagem, 760 – Pina, Recife – PE, 50050-390

Dica 3: ZONA NORTE

CERVEJARIA LABORADA

Para quem quer um ambiente mais descontraído, a Zona Norte tem as melhores opções!
Se você gosta de chopp fresco, nada melhor que beber direto da fonte. A Cervejaria Laborada é o primeiro BrewPub de Recife e conta com 8 torneiras de cervejas artesanais. Um ambiente acolhedor e aconchegante, com boa música e excelente atendimento. Lá são servidos cortes especiais de carnes, que servem bem duas pessoas. Os petiscos, que servem como entradinhas, são muito saborosos e fáceis de harmonizar com as cervejas do tap. Minha sugestão vai para o Shoulder da casa, assado na churrasqueira, mal passado, sempre!

WhatsApp Image 2019-06-10 at 17.39.49É um corte de sabor diferenciado, retirado do miolo da paleta, extraído do dianteiro do animal. Sua textura é tão macia quanto a do filé mignon e seu sabor é bastante acentuado. As características que chamam mais minha atenção, quando o assunto é o Shoulder, é que o corte não possui gordura externa, e sim entre as fibras internas por toda sua extensão, o que conhecemos por gordura de marmoreio ou gordura intramuscular, conferindo ao corte uma suculência e sabor inigualáveis. Ele vem acompanhado de farofa na manteiga e cebola, vinagrete especial e 5 opções de molho, eu gosto da maionese de bacon. Para harmonizar essa potência toda, eu prefiro as cervejas mais robustas, que permitem “limpar” a gordura da boca, por isso mesmo, sugiro a IPA da casa. Outra opção, menos convencional seria com a Stout da Duvália, pois os sabores dos maltes torrados, harmonizam por semelhança com a caramelização da carne na churrasqueira.

Cervejaria Laborada
Endereço: R. do Espinheiro, 533 – Espinheiro, Recife – PE, 52020-020

ESTAÇÃO KEBAB E CAPITÃO TABERNA

Outra opção que vale muito a pena na Zona Norte é visitar as Estação Kebab e o Capitão Taberna no Shopping Parnamirim. As lojas são vizinhas e uma pode complementar a outra. Em um ambiente mais descontraído e uma pegada mais jovem, você pode escolher as delícias da culinária Sírio Libanesa e harmonizar com qualquer um dos quase 150 rótulos que o Capitão Taberna oferece.

 

 

Minha sugestão é o Kebab de barriga de porco (panceta), que acompanha alface, tomate e cebola roxa e 3 opções de molho, eu gosto com a geleia de pimenta. Para acompanhar e deixar essa experiência ainda mais suculenta, vá no Capitão Taberna. Lá você pode escolher entre os quase 150 rótulos que a casa oferece. Prefira cervejas dos tipos Pale Ale e Doppelbock, que possuem um amargor que intensifica o sabor da carne. É sempre bem-vinda com porco cervejas do tipo Brown Ale Dubbel e Rauchbier alemã.

Para esse dia dxs namoradxs, o Capitão Taberna preparou ainda, kites de presentes especiais e caprichados para deixar a experiência ainda mais romântica e cervejeira, vale muito a pena conferir!

 

 

 

Capitão Taberna
Endereço: Shopping Parnamirim, R. João Tude de Melo, 77 – Parnamirim, Recife – PE, 52060-010

O mais importante e que vale a pena, é apostar naquilo que a gente gosta e estar do lado das pessoas que nos fazem bem, quando acompanhado de boa comida e boa cerveja, melhor ainda né?!
Desejamos a todxs, que decidirem passar esse dia ao lado de quem amam, que seja um Feliz dia dxs namoradxs!

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Bière de Garde: do agro ao pop

❤ Por Patrícia Sanches

Ao lembrar desse estilo, facilmente vem à mente uma linda garrafa e um sorriso de boa lembrança. Nada mais representa essa cerveja que seu próprio Terroir.

O termo “Terroir” refere-se a algo característico do local que influencia em um determinado aspecto do produto. No universo do vinho esse termo é mais utilizado que no da cerveja. Talvez por acreditarem que a cerveja merece menos pomposidade e elegância em suas descrições. Mas o fato é que algumas cervejas tem em seu DNA a necessidade de alguma matéria-prima da sua região, podendo ser a água, o malte, o lúpulo (influenciado pelo clima, solo, altitude, etc), a levedura ou uma fruta/especiaria/mineral”.

Quando olhamos os guias de estilo, nos deparamos com dois grandes estilos oriundos de regiões agrícolas, também chamados de FARMHOUSE ALE: a saison (lado belga) e a bière de garde (lado franco-belga). Não se sabe o porquê dessa separação, mas independente de qualquer coisa, o que temos hoje são estilos completamente diferentes entre si, onde a cerveja dos belgas orientou o perfil da saison para cervejas leves, frescas, condimentadas; e os franceses orientaram o perfil para cervejas mais complexas e adocicadas; e tudo isso é diretamente influenciado pela levedura e o processo fermentativo.

“O nome, Bière de Garde, se traduz em “cerveja de guarda”, referindo-se à prática de os agricultores brassarem a cerveja durante uma temporada muito curta no final do outono/ início do inverno (aproveitando as temperaturas mais baixas) para então degustá-las primavera.

Imagem: Craft Beer & Brewery

Infelizmente, muito das tradições francesas de brassar a bière de garde foi perdida com o tempo e as culturas modernas e apressadas não tinham espaço para este estilo de cerveja tão rústico e demorado. A refrigeração não dava sentido para a poesia de fazer a cerveja baseada nas estações do ano. E então, tudo isso tornou-se o antônimo da sofisticação.

Imagem: Biére de Garde Ambrée – Brasserie Duyck Jenlain

Mas como tudo que é cíclico, a bière de garde  deixou de ser “velha” para ser “antiga”, e o antigo tem seu valor. Foi então que a Brasserie Duyck fundada em 1922, torna a fazer o estilo em meados dos anos 50. Como toda boa cervejaria que tenta sobreviver, essa cervejaria atendia as tendências do mercado; mas, ao contrário de muitas outras cervejarias, continuou produzindo pequenas quantidades de Bière de Garde como um projeto paralelo; que só chamou a devida atenção, quando decidiram mudar a embalagem para garrafas de espumante, lacradas com rolhas e arames.

Imagem: Brasserie Duyck

Era a bière de garde voltando a ativa e alimentando os padrões de sofisticação; despertando uma nova cultura francesa de cervejas locais. Isso me lembra a propaganda da Rede Globo: Agro é tech, agro é pop; que basicamente  tem como objetivo conectar o consumidor com o produtor rural e ao mesmo tempo agregar valor à produção agrícola aos olhos da sociedade urbana moderna; exatamente o que a Brasserie Duyck fez.

Vamos brassar?

O BJCP (2015) define a B.G. como uma cerveja artesanal de guarda, bem maturada (armazenada em baixas temperaturas) bastante forte, acentuada em maltes, com uma variedade de sabores de maltes apropriados para a cor. Todas são maltadas, mas todavia, secas, com sabores limpos e um caráter suave.

Antes de pensar na receita, você precisa saber que existem 3 variações de cor:

  • marrom (brune)
  • a loira (blonde)
  • a âmbar (ambrée)

As versões mais escuras deverão ter mais caráter de malte, enquanto que as versões mais claras podem ter mais lúpulo (mas ainda são cervejas focadas no malte). Um estilo relacionado é Bière de Mars, que é produzida em março (Mars) para ser consumida fresca já que não envelhece bem.

Outras características:

  • Aroma: complexo caráter de malte, de intensidade leve a moderado com notas ricas de pão tostado. Ésteres baixos a moderados. Pouco ou nenhum aroma de lúpulo (pode ser um pouco condimentado, apimentado, ou herbal).
  • Aparência: A transparência é de brilhante a média, embora a turbidez não é inesperada neste tipo de cerveja, muitas vezes não filtrada. Espuma bem formada, geralmente branca a bege clarinho (varia de acordo com a cor da cerveja), de persistência média.
  • Sabor: Médio a alto sabor de malte, a maioria com um rico caráter tostado, de biscoito, como de toffee ou leve caramelo. Os sabores e a complexidade de malte tendem a aumentar com a cor da cerveja. Baixos a moderados sabores de ésteres e álcool. Um amargor de lúpulo médio-baixo proporciona algum suporte, mas o balanço é sempre inclinado para o malte. O sabor de malte dura até o final, que é semi-seco a seco, não enjoativo. Retrogosto de malte (de caracteres apropriado para a cor) com alguma secura e com um pouco de álcool.

Estatísticas Vitais: OG: 1.060 – 1.080 FG: 1.008 – 1.016 IBUs: 18 – 28 SRM: 6 – 19 ABV: 6.0 – 8.5%.

Exemplos comerciais: Ch’Ti (brune e blonde), Jenlain (ambrée e blonde), La Choulette (todas 3 versões), St. Amand (brune), Saint Sylvestre 3 Monts (blonde), Russian River Perdition

Um bom exemplo comercial nacional é a CERVEJA BIERBAUM BIÈRE DE GARDE, segundo a cervejaria, ela harmoniza super bem com suíno, avestruz, coelho ou Cordeiro assado, salsichas, massas ao molho, carbonara, paella, queijo gorgonzola, risoto de funghi.

Uma receita?

Como você pode observar, se compararmos o estilo francês com o belga Saison, a principal diferença é que a Bière de Garde é melhor maturada, mais complexa, centrada no malte, e não tem o caráter condimentado da Saison.

Essa é uma excelente cerveja para começar a fazer agora e degustar no Que malte pergunte 2020, que tem o tema: “QUE MALTE PERGUNTE, TEM CERVEJA NA FLORESTA?”. Quer saber mais sobre essa festa que agita a comunidade cervejeira em Pernambuco? Clica aqui. Já tem data, hora e local para acontecer.

Beijos rústicos com sabor da fazenda!