QMTP 2020 – Ervas, escolha sua porção mágica!

Por Marias Bonitas

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Oieee! Chegamos com mais um assunto massa sobre cervejas temáticas!

Vocês sabia que você já faz cerveja ervas? O lúpulo tornou-se um ingrediente tão integral da cerveja que às vezes é fácil esquecer que na verdade é uma erva. Aquele que é perfeito para fazer cerveja. Então, fazer cerveja com outras ervas significa que as mesmas regras se aplicam ao lúpulo, certo?

Não é bem assim…vamos viajar no tempo antes. 😉

Gruit, cerveja antes do lúpulo


O Gruit, também chamado Grut, é uma antiga combinação de ervas que eram usadas para dar amargura e sabor à cerveja antes de se espalhar e espalhar o uso do lúpulo a partir do século XI.

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A maioria das ervas usadas para compor o Gruit era levemente narcótica , de um espectro moderado a suave. Sua composição estava sujeita a variações locais e, em muitos casos, um segredo zelosamente guardado , mas o consenso geral revela que a mistura Gruit está historicamente ligada a três ervas: Yarrow (Achillea millefolium), Artemis (Artemisa vulgaris) e Myrtle of the Swamp ou Vento doce (vendaval Myrica).
Além disso, os agricultores introduziram outras ervas, raízes e frutas na composição do grupo para produzir sabores únicos e outros aromas. Entre esses acessórios, acrescentaram alecrim selvagem, zimbro, sálvia, alcaçuz, gengibre, canela, noz, etc.

❤ Pra saber um pouco mais sobre as Ervas do Gruit clica no link a seguir:
https://www.thebeertimes.com/gruit-la-cerveza-antes-del-lupulo/


As três ervas mais utilizadas e que compunham a chamada “santíssima trindade do gruit” eram:

  • Mírica (Myrica Gale)
    • Uma planta de pântano dos climas nórdicos com um aroma resinoso de eucalipto. Tem propriedades anti-oxidantes e um histórico como repelente de insetos.
  • Mil-folhas ou Aquiléia (Achillea Millefolium)
    • Uma erva alta com chumaços de pequenas flores e relacionada à camomila. Pode causar alergias.
  • Wild Rosemary (Rhododendron Tomentosum ou Ledum Palustre)
    • Outra planta de pântanos e que era usada pelos Xamãs na Sibéria na forma de fumaça com propósito inebriante. Diz-se que possui propriedades hipnóticas (mas não alucinógenas)

Sahti Finlandês

O uso exclusivo do gruit como agente de amargor nas cervejas foi diminuindo gradativamente entre o século XI e o final do século XVI. Sendo que algumas (poucas) cervejas tradicionais sem lúpulo sobreviveram até os dias de hoje. Como a Sahti na Finlândia, que leva em suas receitas as bagas de zimbro (juniper berries).

 

Os motivos para esta diminuição não são muito claros. Alguns livros, como o excelente Beer in the Middle Ages and Renaissance, defende que o sucesso das cervejas lupuladas se deu mais devido às propriedades de conservação do lúpulo que aumentaram a durabilidade da cerveja. E que isto, alinhado com a evolução da tecnologia em se produzir cervejas lupuladas, fez com que estas sobressaíssem em consumo ao vinho e ao hidromel entre os séculos 16 e 17.

Gruit – Razões de ordem política e econômica


Outros possíveis motivos foram de ordem política; dado que os príncipes europeus queriam se livrar da influência política da Igreja Católica – que por meio dos mosteiros controlavam a produção do gruit -, e assim eles apoiaram o movimento liderado por Martinho Lutero; a Reforma Protestante. Coincidência ou não, o Reinheitsgebot foi promulgado em Ingolstadt de 1516, enquanto o Martinho Lutero pregou suas 95 teses na igreja de Wittemberg (a 400km de Ingolstadt) em 1517, iniciando a Reforma Protestante.

Cerveja atual feita a partir de uma receita do século XII com gruit

Alguns autores como o Stephen Burner em seu Sacred, Herbal and Healing Beers, aponta como motivo para a ascensão do lúpulo como um golpe do protestantismo contra as tradições festivas católicas, e como um movimento puritano no sentido de promover a troca das gruit ales (que usam ervas com efeitos estimulantes e afrodisíacos) por cervejas lupuladas (que usa o lúpulo que tem efeitos sedativos). Desta teoria surgiu o interessante movimento pelo Revival das Gruit Ale – Gruit Ale & Unhopped Beers.

 

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Se interessou nas Gruit? Segue o link com 3 receitas pra você fazer seus experimentos! \o/

Experimentos Com Ervas


Toda erva tem uma mistura única de características de caráter de sabor e aroma. Por exemplo, a hortelã fresca, para ser usado no chá de hortelã, aprende-se que a hortelã pode ficar terrivelmente amarga quando deixada na água por muito tempo. A introdução de hortelã fresca em água fervente tem uma variedade de efeitos. O melhor dos efeitos é uma deliciosa bebida quente, o pior é um fluido horrivelmente adstringente e amargo que mal serve para consumo humano.

WEB-Gruit-HerbsIsso ocorre porque muitas ervas, incluindo hortelã, manjericão, alecrim, lavanda, sálvia e assim por diante, são perfeitamente encantadoras em sua forma original. No entanto, quando você cozinha – leia “ferva”, cervejeiros caseiros – eles, por um período prolongado, mudam sua contribuição para o produto final. Os delicados aromas e sabores que caracterizam essas ervas, quando cozidos são substituídos por características amargas ou piores, adstringentes da planta. Então, isso se torna uma questão de timing. A melhor solução é o preparo de um “chá instrutivo”. O que seria isso?

Se você tem uma determinada erva ou tempero em mente, tente preparar um chá de ervas antes de chegar ao processo de produção de cerveja.
Fazer um chá é simples. Se estamos falando de uma determinada erva, basta introduzir a erva em água quente por alguns minutos, assim como faria com um chá normal. Se você está considerando uma especiaria como noz-moscada ou canela, é bom experimentar diferentes quantidades de tempo. O ponto aqui é estabelecer qual introdução cronometrada ao calor da fermentação resulta em quais aromas e sabores.

Escolhendo um estilo de cerveja


cb52f3ab26737ca41dbfdc313f97ddf3Agora vem a parte divertida: escolher um estilo de cerveja. Há muito a escolher e quando você está escolhendo um estilo para preparar com ervas, é melhor encontrar parcerias que irão funcionar bem em conjunto. Se tais considerações abstratas fizerem sua cabeça girar, considere parcerias que funcionem no mundo da comida. Por exemplo, chocolate e hortelã combinam muito bem, certo? Então, encontre uma boa cerveja com sabores de chocolate e comece a trabalhar, pegue um pouco de chá de hortelã e veja como eles andam juntos.
Se você quer que a erva ou a especiaria seja a verdadeira estrela do show, escolha um estilo leve, cervejas de trigo, pilsen ou até mesmo cervejas ácidas. Mesmo uma pequena quantidade de erva introduzida nesses estilos iria brilhar.

Preparar com ervas pode ser muito divertido, apenas lembre-se de duas coisas: A primeira, também é a regra fundamental da preparação, tudo bem limpo! Certifique-se de adicionar as ervas à fervura por tempo suficiente para pasteurizá-las. Você não quer que um raminho de manjericão leve fermento selvagem ao seu fermentador. A segunda é, não cozinhe demais. Certifique-se de experimentar os chás para obter o equilíbrio certo de sabores e aromas da erva.

E aí? Prontos(as) pra experimentar? Simbora mexer o caldeirão! \o/

ARTIGOS INTERESSANTES:

Encontramos um estudo científico bem interessante sobre as Ervas Mate, clica no link a seguir pra conferir: ELABORAÇÃO DE CERVEJA COM ADIÇÃO DE ERVA-MATE (Ilex paraguariensis A. St.-Hil.): QUALIDADE FÍSICO-QUÍMICA E SENSORIAL

Também sobre Erva Mate, um brasileiro que transformou Erva Mate em cerveja! \o/
https://exame.abril.com.br/pme/brasileiro-transforma-erva-mate-em-cerveja/

Cervejas com folhas de chá:
https://exame.abril.com.br/estilo-de-vida/cervejas-artesanais-com-folhas-de-cha-sao-a-bola-da-vez/

Referências:
* https://pt.quora.com/Por-que-o-l%C3%BApulo-se-tornou-a-principal-praticamente-%C3%BAnica-erva-para-se-temperar-cervejas
* https://blog.eckraus.com/gruit-ale-recipes
* https://exame.abril.com.br/pme/brasileiro-transforma-erva-mate-em-cerveja/

 

QMTP 2020 – Madeiras, usar ou não usar? Eis a questão!

❤ Por Marias Bonitas

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Dando seguimento à série de postagens “motivacionais”..hehe..vamos falar sobre madeira. Suas origens, técnicas, compostos aromáticos, utilização, estilos de cervejas que podem ser adicionadas. Partiu?! 😉

História da Madeira


Cerveja e madeira é uma combinação de milhares de anos. Os indícios de sua utilização são registrados desde o século III A.C. por povos celtas que substituíam recipientes rudimentares feitos de barro e cerâmica para o armazenamento de compostos fermentados.

barrilNos tempos antigos, líquidos eram fermentados, armazenados e transportados em vasos de barro, conhecidos como ânforas, como ocorreu com as cervejas originais da Mesopotâmia e do Egito. Pelos primeiros séculos dC, a madeira tinha substituído barro ou terracota como o material preferido para a fabricação de recipientes para o armazenamento e transporte de líquidos, provavelmente por causa da durabilidade e fácil acesso a matérias-primas. Ou seja, por mais de dois mil anos, cervejas vem sendo armazenadas e transportadas em barris, muito antes mesmo de entendermos quantas peculiaridades aromáticas poderíamos captar desse simples fato. Tanto é que, na maior parte desse tempo, a madeira era revestida com betume – um isolante que impedia o contato do líquido diretamente com a madeira do barril.

As primeiras técnicas registradas de contato da cerveja com a madeira para tais finalidades datam por volta do século XIII na Europa. A partir daí, começa-se a perceber diferenças no sabor e no aroma. Os barris eram feitos por artesãos – os tanoeiros – profissão que entrou em declínio a partir de 1970. Avanços tecnológicos permitiram, somente na década de 60, que os barris de madeira fossem substituídos por alumínio, mais leves e de fácil higienização.

A cerveja que passa por barris de madeira deve apresentar como característica predominante os aromas e sabores do estilo base, com notas da própria madeira ou, se o barril foi utilizado anteriormente por alguma bebida alcoólica, notas desta bebida; mas sempre sem predominar. A cerveja pode ser envasada diretamente do barril para a garrafa, com refermentação ou não, ou ainda misturando-a com cerveja jovem para amenizar os efeitos da madeira. O período de maturação varia de 3 meses a 5 anos. A madeira também transmite à cerveja uma série de novos compostos aromáticos, dentre os quais se destacam aromas de baunilha, notas de especiarias e toques de defumação e torrefação originados da tosta da madeira. Cada tonel traz consigo uma característica, seja da espécie da madeira, seja da tosta dela, oferecendo sabores e aromas.

Atualidades


Foram provavelmente os cervejeiros norte-americanos, a partir dos anos 1990, que colocaram em primeiro plano esses aromas “amadeirados”, buscando enfatizá-los em suas primeiras Barrel-Aged Beers e deram-lhes até mais importância do que a acidez e a micro-oxigenação. A partir do advento das Wood and Barrel-Aged beers por meio das microcervejarias americanas, ficou mais fácil compreender que a cerveja maturada assim resultava em um produto extremamente aromático e não com o perfil envelhecido ou selvagem.

2YQ6EXU7XMI6PHENZ4CT74YJEEAssim, diminui-se o tempo da cerveja nesses barris, já que para captar os compostos que dariam sabor à cerveja é um processo que ocorre rapidamente. Ficando conhecidas como cervejas “abaunilhadas”, novos estilos ganham força, como a Russian Imperial Stout, que combina baunilha, café e chocolate.

Principais tipos de Madeira utilizadas


Carvalho

Possui aromas que lembram ameixa, cassis, baunilha e caramelo.

  • Carvalho Francês
    Na França o carvalho só é considerado apto para a Tanoaria após completar 150 anos e isso está relacionado diretamente com a “fama” do carvalho francês. As características adquiridas pela madeira influenciam diretamente em seu perfil aromático e sua estrutura granular. Seus principais exemplares são Quercus Robur e Quercus Sessilis. Os principais aromas são de especiarias, canela, caramelo e chocolate ao leite.
  • Carvalho Americano
    O Quercus Alba destaca-se por notas de coco, baunilha, manteiga e outros aromas adocicados. Quando submetido a notas mais intensas de tosta, apresenta aromas de caramelo, açúcar mascavo e xarope de bordo.
  • Carvalho Húngaro
    O carvalho húngaro é considerado apto para utilização em barris quando completa entre 80 e 100 anos. Cada árvore rende apenas entre uma e duas barricas de 225 litros. Na tosta suave apresenta aromas de frutas brancas, abacaxi e banana. Em tosta média realça aromas de baunilha e na tosta intensa evidencia avelãs e caramelo.

Amburana

Possui aromas mais intensos de baunilha, que contribuem para um sabor levemente adocicado. A Amburana cearensis, também conhecida como Cerejeira, é natural do Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste do Brasil. De cor intensa e uma gama aromática também muito intensa e característica, destacam-se as notas de baunilha que contribuem para um sabor levemente adocicado.

Bálsamo

Barris de Bálsamo são comumente utilizados para envelhecimento e maturação de bebidas destiladas como cachaça, rum, xerez, uísque e também com vinhos. Não foram encontrados muitos relatos sobre o uso desse tipo de madeira na produção de cervejas e seus resultados, mas sabe-se que para as citadas bebidas essa madeira agrega aromas moderadamente amendoados e com notas de canela e cravo.

Castanheira

Considerada a madeira brasileira com propriedades mais próximas ao carvalho europeu, confere suavidade, um leve toque adocicado e cor amarelada à cachaça. Também é capaz de fornecer notas de baunilha e amadeirado. Para o uso com cerveja, especialistas recomendam apenas na fase de maturação e com atenção ao tempo de contato, uma vez que há grandes chances de o sabor ficar muito intenso e aí ser necessário blendar com outra cerveja que não teve contato com a madeira.

Métodos de envelhecimento


Para fazer o envelhecimento basta transferir a cerveja pós-fermentada para um barril de madeira. É possível fazer um envelhecimento sem o barril, utilizando lascas de madeira; só é preciso fazer com que as lascas torradas fiquem totalmente em contato com a cerveja, e não boiando na superfície.

dadinho-madeira-amburana-tosta-media-mapadacachaca• Barrel aged: o envelhecimento da cerveja acontece por meio do uso de barris;
• Wood aged: são usadas lascas de madeira ao invés de barril.
A categoria de cervejas definida como Wood Beer pelo BJCP (2015) é destinada às cervejas que passam por envelhecimento em contato com madeira. Essa categoria tem dois estilos de cervejas:
• Wood-Aged Beer
• Specialty Wood-Aged Beer
A diferença entre as duas é simples, o barril em que as Specialty passam por envelhecimento foi utilizado antes para maturar outra bebida como, por exemplo, uísque. Então, as Specialty vão ter não só as características da madeira como também da bebida que estava no barril antes. Já as Wood-Aged Beer só têm características agregadas da madeira.
O tempo de maturação/envelhecimento varia de 3 meses a 5 anos. É comum realizar o blend (mistura) de uma cerveja envelhecida com uma cerveja fresca, para equilibrar os sabores e aromas acentuados da cerveja envelhecida. É aconselhável provar a cerveja envelhecida ao longo do tempo para se saber o ponto de envelhecimento desejado.

Superfície de Contato

A superfície de contato tem um papel importante para que o equilíbrio de aromas da cerveja seja obtido em um maior ou menor período de tempo. Quanto maior a superfície de contato entre a cerveja e a madeira mais rápido ela desenvolve novos perfis aromáticos. Mas é preciso ter cuidado, pois nem sempre um processo rápido é sinônimo de qualidade e o acompanhamento da evolução sensorial deve ser feito com frequência para que não sejam agregados aromas indesejáveis.

Tempo de contato

Nas Sours

Este estilo de cerveja descansa em barris (ambientes propícios para o crescimento de Bretts e colonização das bactérias) por até mais de um ano, desenvolvendo assim seu caráter oxidado. Tanto que uma Sour de apenas um ano é considerada jovem por ainda não ter obtido tanta complexidade como poderia a partir do ambiente do barril, ambiente propício para o crescimento de brettanomyces e colonização de outras bactérias. É durante este período em que a cerveja “descansa” que o mestre cervejeiro deve provar para acertar a receita ao resultado desejado, ao realizar adição de frutas, reforçar as bactérias ou mesmo escolher barris onde foram maturadas anteriormente outros tipos de bebidas.

Nas Wood and Barrel Aged

Independente de seu estilo base, as Wood and Barrel Aged são envelhecidas em contato com a madeira (barril ou chips) que pode ou não conter aromas daquilo que havia antes no barril. O tempo faz com que os aromas da madeira e da bebida se entrelacem acrescentando novas características aromáticas a cerveja.

Cuidados com o envelhecimento


grafico-envelhecimentoAntes de mais nada, temos que entender que a palavra envelhecimento se refere às mudanças de sabor e aroma da cerveja com o passar do tempo.
Toda cerveja depois de envasada sofre mudanças ao longo do tempo, até mesmo dentro da própria garrafa, devido a diversas reações químicas que acontecem de maneira espontânea como, por exemplo, a oxidação. Essas mudanças podem melhorar ou piorar a cerveja já que ela está sempre em constante mudança e é quase como se a cerveja estivesse viva.

Estilos que geralmente são maturados/fermentados em barris de madeira


Barris de madeira tem como uma de suas características levar aromas e sabores para a bebida nele contida. No caso da cerveja não é diferente. Por esse motivo, a cerveja que será colocada em um desses barris deve ter uma “personalidade” muito forte, ou seja, deve ter um certo nível de complexidade e um teor alcoólico elevado, em maioria as ales.

Lambic

Tem sua fermentação em barris de madeira, que levam características no paladar e uma leve coloração as cervejas.
Características: Cor de amarelo palha a dourada, Turvas, Não são carbonatadas e nem apresentam espuma, Aromas terrosos, animalescos, caprílicos são aceitos, Notas frutadas e amadeiradas.
Exemplares: Cantillon Gran Cru, Timmermans, Boon, Lindemans.

Geuze

São blends de Lambics com diferentes idades. Passam por uma re-fermantação na garrafa, o que garante sua carbonatação. As garrafas com a descrição de Oude são tidas como as tradicionais. Tem como características da madeira notas amadeiradas e de baunilha.
Características: Coloração dourada, Cervejas límpidas, sem sedimentos, Muito carbonatadas, Aromas: terrosos, animalescos, caprílicos, Notas de frutas: cítricas, brancas e amarelas, Acidez moderada
Exemplares: Drie Fonteinen, Mariage Parfait, Cantillon Geuze.

Fruit Lambic

São cervejas lambics com adição de frutas para contribuir com sabor, cor, aroma e açucares para a fermentação. Cereja é a fruta mais comum, mas outras frutas também são adicionadas, como framboesa, cassis, maçã, pêssego, e outras.
Características: Aromas e sabores das frutas inseridas, Levemente adocicadas e secas, Presença de brettanomyces, dando características fenólicas e animalescas, Baunilha proveniente da madeira.
Exemplares: Cantillon Lou Pepe Framboise, Boon Kriek, Lindemans Framboise.

Flanders Red Ale

Tem a primeira fermentação com cepa pura de Saccaharomyces ou uma combinação de leveduras e bactérias. A segunda fermentação ocorre em barris de carvalho quando as leveduras e bactérias acidificam a cerveja.
Características: Coloração avermelhada podendo ser bem intensa, Boa carbonatação e formação de espuma, Aromas frutados como ameixas, cassis, laranja, Acidez suave, Condimentos, baunilha e madeira.
Exemplares: Duchesse de Bourgogne, Liefmans Goudenband, Rodenbach Klassiek.

American Brett Ale

Barris de madeira podem ser usados na maturação e fermentação, mas essas cervejas não podem conter notas de madeira e baunilha (proveniente da madeira).
Características: Coloração de clara a preta, ou cor da fruta inserida, Deve haver características de Brett, Não deve ter aromas de bebidas contidas no barris, Notas de ésteres frutais, lúpulos e acidez deves ser equilibradas.
Exemplares: Wild Horse Porter

American Sour Ale

Barris de madeira podem ser usados na maturação e fermentação, mas essas cervejas não podem conter notas de madeira e baunilha (proveniente da madeira).
Características: Coloração de clara a preta, ou da fruta inserida, Complexidade equilibrada de acidez, Notas de ésteres frutais, lúpulos, acidez devem ser equilibrados, Não deve haver características de brett, a acidez dessa cervejas é formada pelos ácidos orgânicos que se desenvolveram na maturação e fermentação.
Exemplares:
Way Sour Me Not Acerola, Graviola e Morango; The Bruery Sour in The Rye.

Wood and barrel aged Sour beer

Qualquer lager, ale ou híbrida, envelhecida ou em contato com madeira que desenvolveu uma acidez natural de origem bacteriana. Deve conter uma mistura de baunilha e outras características da madeira. Pode ter características da bebida que estava no barril anteriormente. Suas fermentação contribui com ésteres complexos, podendo ou não conter características de brett.
Exemplares: The Bruery Smoking Wood Bourbon Barrel Aged; Sierra Nevada Trip in the wood; Brooklyn Black Ops; Harviestoun Ola Dubh Special 18 Reserve.

Old Ale

Muito parecidas antigamente com as Barley Wine, eles tem o nome de “old” exatamente por serem velhas e passarem meses ou anos em barris de madeira. Hoje em dia a madeira é mais rara nesse estilo, mas ainda existem. Notas mais aveludadas, de oxidação e leve acidez são providas da madeira. Não deve conter notas da bebida que estava antes no barril. Presença adocicada do malte, e leve amargor no sabor.
Exemplares: Fuller’s Vintage Ale; Adam da Hair of The Dog

Barley Wine

Essas cervejas eram produzidas para substituir o vinho, quando houve uma ruptura em sua importação para a Grã-Bretanha. Por isso tinham alto teor alcoólico e eram envelhecidas em madeira.
Características: Coloração de âmbar claro a intenso, Corpo intenso e elevado, Ésteres frutais elevados e equilibrados com amargor e teor alcoólico, Notas de caramelo, toffee, oxidação e outras notas de vinho sempre são positivas.
Exemplares:
Rogue Old Crustacean, Firestone Sucaba, Brooklyn Monster Ale.

E aí? Gostaram?!
Se você tiver uma cerveja que se encaixa nessas características, acessa o Formulário de troca de cerveja por ingresso para o QMTP2020 – Tem Cerveja na Floresta?
Envio Barril(is): https://forms.gle/EFTnPpfZMhcdTE1z8
Envio Garrafas: https://forms.gle/QjdyBSSWdv6CtoFc9
Clica aqui pra acessar o regulamento. 😉

Quem arrisca qual tema do próximo post? hehehe

Xeros amadeirados! ❤

Referências:
*https://brejada.com/brejapedia/estudos/estudo-madeira-cerveja
*https://www.hominilupulo.com.br/cervejas-caseiras/como-fazer/envelhecimento-de-cerveja/

QMTP 2020 – Brettas e outras bactérias

❤ Por Marias Bonitas

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Como de costume, vamos fazer uma série de posts falando sobre adjuntos, condimentos e tudo o mais que pode ser adicionado (ou não) na cerveja, servindo também de dicas pra quem quiser aprender mais um pouco sobre o assunto, além de poder preparar ou turbinar sua cerveja pra o evento. 🙂
Vamos juntos nessa?

Assunto de hoje:
Brettas e outras bactérias… Huuuuu!!!

A cerveja é uma bebida que apresenta características desfavoráveis para a multiplicação de vários microrganismos, sendo reconhecida como um produto de considerável estabilidade microbiológica. Porém, algumas espécies de microrganismos, incluindo bactérias Gram-positivas (Lactobacillus e Pediococcus), Gram-negativas (Pectinatus e Megasphaera) e leveduras selvagens (Saccharomyces e não-Saccharomyces) são capazes de se multiplicar nesta bebida, conferindo características indesejáveis, tais como turbidez e mudanças sensoriais.

Brettanomyces


Enquanto os amantes de vinhos tentam se esquivar dela, nós cervejeiros queremos cada vez mais! Como a Brett é um microrganismo que consegue consumir açucares que outros não conseguem, ela foi encontrada e classificada como um contaminante nos barris de madeira que maturavam vinhos tintos. Esse elemento “mágico” foi descoberto e isolado pela primeira vez em 1904 por N. Claussen na Dinamarca.

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Brettanomyces “ame-a ou deixe-a”…

Liberando notas inusitadas como celeiro, suor e lã molhada, a Brett pra os íntimos, é a estrela de grandes estilos complexos como as Lambic e Gueuzes.

Um dos estilos mais icônicos para a Brettanomyces é a Lambic, que nasce a partir da fermentação espontânea através de bactérias e leveduras que estão por ai, bem ao estilo da Brett, soltas no ar mesmo. O processo remete a como a cerveja é produzida desde de a antiguidade, em tanques abertos e recebendo tudo que a natureza mandar. \o/

MJ-BW

Grande fã das produções belgas, o eterno Beerhunter, Michael Jackson explica bem a força da paciência:
“Em termos gerais, uma boa Ale pode ser feita em três semanas; uma excelente Lager, em três meses e uma ótima Lambic, em três verões”.

Ele completa: “As Lambics são as mais belgas das cervejas. As mais incomuns do mundo e as mais desinibidamente naturais. Não são fortes nem agressivas, mas têm um claro e firme caráter de vinho que pode chocar no primeiro gole – e seduzir ao ponto da obsessão qualquer um que genuinamente ame a exploração dos sentidos”. ❤

Tempo, delicadeza e dedicação


A Brettanomyces trabalha mais lentamente que outras leveduras na cerveja. Por isso, as Lambics demoram mais do que Lagers e Ales para ficarem no ponto certo. Como no verão as temperaturas sobem, fica mais difícil saber como as leveduras vão se comportar, por isso, é preferível lidar com elas entre setembro e maio, inverno na Europa. A ideia é interferir o mínimo no natural dessa microflora pra que elas trabalhem com qualidade.

Estilos com Brettanomyces


Além da Lambic, existem outros estilos e subdivisões que também se apropriam da Brett pra entregar um resultado único, como por exemplo as Fruit Lambics (que têm adição de frutas) e as Gueuzes, que nascem da mistura de Lambics diferentes, por safras ou barris.
Também as “Oude Gueuze” que, deve ser formada por Lambics de 1, 2 e 3 anos de guarda. Ela deve ter no mínimo um ano na garrafa e seis meses em barril.
Além dessas clássicas, bons exemplos são as Berliner Weisse, Oud Bruin e as Flanders Red Ale, que podem ser consideradas cervejas “contaminadas”.

Cuidados pertinentes


A ação da Brettanomyces é considerada como contaminação em alguns estilos de cerveja, dando para o resultado final sabores/aromas que a gente já falou e que podem ser bastante desagradáveis. Uma lager com cheiro de cavalo não parece nada bom.
Higiene acima de tudo, esse é um tipo de levedura que poderá aparecer, mesmo sem você querer, na sua cerveja caso ela tenha contato com madeira, sendo em barril, chips de carvalho ou qualquer outra técnica.

Vídeo demonstrativo


Cervejaria americana Sierra Nevada mostrando o processo em time-lapse de 6 dias:

Bactérias Gram-positivas (Lactobacillus e Pediococcus)


As bactérias do género Pediococcus, em conjunto com outras espécies produtoras de ácido láctico como as pertencentes aos géneros Leuconostoc e Lactobacillus, são responsáveis pela fermentação de diversos alimentos para humanos e animais. Nesses processos de fermentação, os açúcares presentes nos vegetais frescos são fermentados em ácido láctico, o qual acidifica os produtos e impede a sua posterior degradação.

As bactérias do género Pediococcus são geralmente consideradas como contaminantes em vinhos e cervejas, mas a sua presença é por vezes desejada em alguns estilos de cerveja, como o lambic. Algumas estirpes de Pediococcus produzem diacetil, o composto que dá a alguns vinhos estilos de cerveja um aroma amanteigado.

Cada coisa no seu tempo


Souring-With-Lactobacillus-HeaderPor milhares de anos, as cervejas azedas/ácidas foram feitas expondo o mosto (cerveja não fermentada) ao ar e à microflora, produzindo assim resultados incontroláveis. Hoje já sabemos que esse processo de acidez presente na cerveja é geralmente na forma de ácido láctico, acético e outros ácidos orgânicos desenvolvidos naturalmente com malte acidificado no mosto, ou produzidos durante a fermentação pelo uso de vários microorganismos. Estas cervejas podem derivar seu sabor amargo de formas cultivadas puras de agentes acidificantes ou da influência do envelhecimento do barril.

Estilos com Lactobacillus

obj_strip_534382_0_fullExistem duas formas de fermentar cervejas ácidas ou sour beers. A primeira é baseada na microbiota local, ou seja, no conjunto de bactérias e leveduras encontradas no ambiente da cervejaria e nos insumos empregados na fabricação da sour beer (como o malte, por exemplo).
Uma segunda forma de obter sour beers é utilizar fermentações controladas, com uma seleção de microrganismos previamente isolados, caracterizados e cultivados em laboratório. Pode-se incluir dentro desta categoria os “sour mash” e “sour kettle” feitos com a microbiota associada com o malte cervejeiro representado, em sua maioria, por dezenas de espécies diferentes de bactérias produtoras de ácido lático (Lactobacillus, principalmente) e outras espécies de microrganismos produtoras de ácidos orgânicos, como o ácido acético (principal componente do vinagre).

Cuidados e responsabilidades


A aventura nestas conhecidas “fermentações naturais” é preciso aguardar um longo tempo para ter o produto pronto para consumo. Anos de guarda são a norma para este tipo de cerveja. E, por ser um evento aleatório, se sabe que há um grande risco de ocorrer a perda da cerveja pelo crescimento de microrganismos indesejados. Desta forma, e apesar de todo o romantismo/importância histórica e da qualidade da cerveja obtida por meio de fermentações naturais quando bem conduzidas, é preciso ter em mente dos riscos e do tempo que envolvem esta forma de fermentação.

Bactérias Gram-negativas (Pectinatus e Megasphaera)


As espécies do gênero Pectinatus, P. cerevisiiphilus e P. frisingensis estão entre as principais bactérias deteriorantes da cerveja, sendo responsáveis por 20 a 30% dos incidentes por contaminação bacteriana, principalmente em cervejas não pasteurizadas. Estas bactérias podem se multiplicar em temperaturas de 15 a 40 °C (ótima de 32 °C), pH 3,5 a 6 (ótimo de 4,5) e em meios contendo até 4,5% p/p (aproximadamente 5,6% v/v) de etanol. No entanto, o principal efeito de deterioração causado pelas espécies de Pectinatus é uma forte turbidez e um repulsivo cheiro de “ovo podre” resultante da combinação de diferentes ácidos graxos, sulfeto de hidrogênio e metil mercaptano. Nos últimos anos foi isolada uma nova espécie de Pectinatus associada à deterioração de cervejas, o P. portalensis. 

Este gênero, Megasphaera, inclui duas espécies, M. elsdeni e M. cerevisiae. Porém, somente M. cerevisiae tem sido considerada responsável pela deterioração de cervejas. A multiplicação células de M. cerevisiae ocorre entre 15 e 37 °C (ótimo em 28 °C) e em valores de pH acimade 4,1, sendo inibidas em cervejas com uma concentração de etanol acima de 2,8% (p/v) (aproximadamente 3,5% v/v). A contaminação da cerveja causada por esse microrganismo resulta na produção de consideráveis quantidades de ácido butírico, juntamente com baixas concentrações dos ácidos acético, isovalérico, valérico e capróico, e de acetoína. No mosto, são produzidas grandes quantidades de ácidos butírico e capróico, baixas concentrações de ácido acético, isovalérico e valérico, e não ocorre a produção de acetoína. Semelhante ao Pectinatus, a produção de sulfeto de hidrogênio por M. cerevisiae provoca odor fecal na cerveja, o que faz dessa bactéria um dos microrganismos mais temidos pelos cervejeiros.


Se quiser aprender mais um tiquinho sobre leveduras selvagens, CLICA AQUI.

Exemplos comerciais de leveduras e outras bactérias: https://www.levteck.com.br/categoria-produto/bacterias-e-leveduras-nao-saccharomyces/

Referência: https://www.wine.com.br/cervejas/bebomelhor/publicacao/brettanomyces/
Para conhecimentos mais aprofundados: Produção de cerveja: microrganismos deteriorantes e métodos de detecção

E aí, se animaram?!!! Espero que sim!
Simbora burbulhar os fermentadores!!! Até o próximo post!

Xeros brettados! ♥

QMTP 2020 – Regulamento e ingressos, se liga nos paranauês!

❤ Por Marias Bonitas

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Oláres!!!
Então, como todo mundo já sabe o QMTP tem umas regrinhas básicas para participação dos cervejeiros(as) caseiros(as) que desejam trocar cerveja por ingressos, caso você nunca tenha participado das nossas festas, segue o regulamento para download CLICA AQUI.
Seguem também os links para os formulários:
Envio Barril(is): https://forms.gle/EFTnPpfZMhcdTE1z8
Envio Garrafas: https://forms.gle/QjdyBSSWdv6CtoFc9

É tudo bem simples e bem explicadinho no regulamento, só se liga nas datas e regras, que vai dar tudo certinho! 🙂

Vamos às 10 perguntas mais frequentes:

  1. Quando e onde vai ser a festa?
    R. Dia 25/01/2020 (sábado)
    Local: Jardim Aurora – Rua dos Emboabas, 149, Santo Amaro, Recife/PE
    Pontos de referência: Próximo ao RM Express, quase em frente ao PROCAPE, na lateral do Cemitério de Santo Amaro

  2. Que horas começa a festa?
    R. Começamos exatamente às 16h e terminamos impreterivelmente às 00:00, pois temos que respeitar os limites sonoros dos nossos vizinhos 😉

  3. Pode ir fantasiado(a)?
    R. DEVE!!!!! Quem já foi nas festas do QMTP sabe que adoramos temas, esse temática de natureza, floresta, fauna, flora é uma prato cheio pra você se sentir à vontade pra colocar pra fora o seu desejo de ser um mago(a) ou uma fada..se joga na selva e vamos curtir!!!

  4. Quando vou poder entregar minha cerveja maravigold?
    R. Ainda estaremos definindo essa data ao certo, portanto fiquem ligados(as) nas redes sociais, onde estaremos informando tudo o que for postado aqui no blog (sim, este será o nosso canal de comunicação).

  5. Tem algum valor pra pagamento (no caso de troca de cerveja por ingresso ou participação do concurso)?
    R. Não, para a participação na festa, haverá apenas troca de ingressos por cerveja ou compra do ingresso pelo Sympla.

  6. Já está vendendo ingresso? Se sim, onde?
    R. Siiiiiiim!!! \o/ Os ingressos estão sendo vendidos nos Sympla, segue o link para a compra: Sympla – Que Malte Pergunte…Tem cerveja na floresta?

  7. Eu tenho cerveja em casa e quero trocar por ingresso, como faço?
    R. Faça download do Regulamento (CLICA AQUI) e segue as regras descritas lá, sabendo que a cerveja tem que se encaixar na temática da festa, pra ficar mais style, né? 😉

  8. Eu não bebo cerveja, mas quero participar da festa, tem ingresso pra quem não bebe álcool?
    R. Essa é uma pergunta polêmica..rsrs..como é um evento para mais de 200 pessoas e se tratar de um open bar, fica complicado fazermos a fiscalização das pessoas que bebem e que não bebem, então essa opção ainda não será disponibilizada no Sympla. :/Mas nada que não possamos conversar, não é mesmo? Manda um e-mail pra gente: mariabonitabeer@gmail.com

  9. Vai ter acesso pra crianças e idosos (não bebedores)?
    R. Sim!!!! 🙂 Estes sim, tem livre acesso e pulseirinha de identificação específica.

  10. Eu moro em outro estado e queria participar, como faço pra enviar minha cerveja?
    R. Eita preula! Que massa! Entra em contato com a gente via e-mail (mariabonitabeer@gmail.com) pra alinharmos os planetas e sua cerveja chegar aqui em Pernambuco, são e salva. \o/

É isso!!! Esperamos todos vocês lá!

Qualquer dúvida podem entrar em contato pelos meios de comunicação:
e-mail: mariabonitabeer@gmail.com
Instagram: @mariabonitabeer
Facebook: /mariabonitabeer
Blog: https://mariabonita.beer/

Xeros selvagens!!! ❤

A cerveja está gelando em homenagem a São João

❤ Por Lucy Cavalcante

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Eita chegou o São João, acende a fogueira do meu coração! Enfim a festa mais esperada do ano (depois do carnaval, é claro!). Seguindo o mesmo lema do samba, a pessoa que não gosta de forró, bom sujeito não é! Aquele rala bucho, aquele friozinho, o calor da fogueira, as comidas…ahhh as comidas típicas, sempre deixam todo mundo babando.
Então nada melhor do que juntar esse amor com outro amor, cervejas! ❤
Quem nunca foi numa festinha de São João e sentiu vontade de ter uma boa cerveja disponível pra acompanhar aquelas comidas maravilhoooosas?!

História

Antes de partirmos para as harmonizações, vamos aprender um pouco mais sobre nossa cultura nordestina/brasileira, saber quem são os protagonistas dessa festa que tanto adoramos. 🙂

Quem danado foi São João?

Na cultura popular brasileira, as festas juninas têm lugar especial, pois, além de valorizarem as tradições locais do país, também revelam muitos elementos históricos, religiosos e mitológicos curiosos, que passam despercebidos. Tais festas, como é sabido, seguem o calendário litúrgico da Igreja Católica, que, no processo de assimilação dos antigos cultos pagãos europeus – na transição da Idade Antiga para a Idade Média –, acabou por substituir os rituais dedicados aos deuses médio-orientais, gregos, romanos e nórdicos por festas dedicadas aos santos.

Havia, na segunda quinzena do mês de junho, quando ocorria o solstício de verão na Europa, o culto a deuses da natureza, das plantações, colheitas etc. Um desses deuses era Adônis, que, segundo o mito grego, foi disputado por Afrodite (deusa do amor) e Perséfone (deusa dos infernos). A disputa foi apaziguada por Zeus, que determinou que Adônis passaria metade do ano com Afrodite, no mundo superior, à luz do Sol, e a outra metade com Perséfone, no mundo inferior, nas trevas.

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Essa disputa entre deusas acabou sendo associada aos ciclos naturais da vegetação, que morre no inverno e renasce e vigora na primavera e verão. O culto a Adônis, cujo dia específico era 24 de junho, tinha por objetivo a celebração dessa renovação, da “boa-nova” do renascer da natureza. Essa ideia foi assimilada pelo cristianismo, que substituiu Adônis por São João Batista.

São João Batista, na tradição cristã, anunciou a “boa-nova” (boa notícia) da vinda do Cristo, filho de Deus, salvador da humanidade, que “renovaria todas as coisas”. Foi ele também que batizou Cristo no rio Jordão. Da história de São João, a cultura popular europeia retirou vários símbolos, que passaram a se mesclar com os tradicionais ritos de colheita remanescentes do culto a Adônis. Um dos símbolos mais importantes é a fogueira.

História da fogueira, que você gosta tanto de pular!

A fogueira, característica das festas de São João, tem seu fundamento na história do nascimento de João Batista. A fogueira era um sinal de Santa Isabel, mãe de São João, para Maria, mãe de Jesus. Abaixo segue uma sinopse da história, adaptada pela pesquisadora Lúcia Rangel:

Dizem que Santa Isabel era muito amiga de Nossa Senhora e, por isso, costumavam visitar-se. Uma tarde, Santa Isabel foi à casa de Nossa Senhora e aproveitou para contar-lhe que dentro de algum tempo nasceria seu filho, que se chamaria João Batista.

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Nossa Senhora então perguntou:
— Como poderei saber do nascimento dessa criança?
— Vou acender uma fogueira bem grande; assim você poderá vê-la de longe e saberá que João nasceu. Mandarei também erguer um mastro com uma boneca sobre ele.

Santa Isabel cumpriu a promessa. Certo dia Nossa Senhora viu ao longe uma fumaceira e depois umas chamas bem vermelhas. Foi à casa de Isabel e encontrou o menino João Batista, que mais tarde seria um dos santos mais importantes da religião católica.


(“A lenda do surgimento da fogueira de São João”. In: RANGEL, Lúcia H. V. Festas juninas, festas de São João: origens, tradições e história. São Paulo: Publishing Solutions, 2008. p. 35).

Olha o forrózin!

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No caso específico do Brasil, a prática do acendimento da fogueira na noite de 23 para 24 de junho foi trazida pelos jesuítas. Tal prática foi com o tempo associada a outras tradições populares, como o forrobodó africano (espécie de dança de arrasta-pé), que daria no forró nordestino, e a quadrilha caipira, que herdou elementos de bailes populares da Europa – palavras como “anarriê”, “alavantú” e “balancê”, por exemplo, são adaptações de termos de bailes populares da França.


Fonte: FERNANDES, Cláudio. “Origem da festa de São João”; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/detalhes-festa-junina/origem-festa-sao-joao.htm. Acesso em 19 de junho de 2019.

Harmonizações juninas

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Como em boa parte do país, onde se comemoram as festas de São João, São Pedro e Santo Antônio, é inverno, as temperaturas mais baixas “pedem” cervejas mais alcoólicas e com mais corpo, que podem ser servidas entre 6 e 8 graus. A temperatura é um fator de extrema importância para o serviço e melhor aproveitamento da experiência cervejeira, acompanhada ou não de comida.

Salgados

  • Milho e Pipoca
    Podendo ser cozido, assado ou “estourado”, o milho combina bem com uma manteiga derretida, fica muito delícia! Pra acompanhar pode ser uma American Pale Ale (APA), Amber Ale ou uma Session India Pale Ale (Session IPA). Essas cervejas tem um teor de amargor considerável, ajudam na limpeza do palato, quebrando as gorduras.

Doces

  • Pamonha, Canjica, Munguzá, Bolo de Fubá, Brigadeiro de milho verde
    Reunindo as comidas de milho , onde prevalecem os doces residuais do milho e das adições de açúcares primários, cervejas mais escuras harmonizam bem, podendo ser: Bitter, California Common, Brown Ale, Baltic Porter, Dry Stout, Stout.
  • Pé de Moleque, Paçoca, Amendoim Doce, Bolo de Amendoim
    Comidas com adição de amendoim combinam bastante com cervejas com notas carameladas, produzindo um terceiro sabor interessante. Vale a pena degustar com: Dubbel, DoppelBock, Dark Strong Ale, Barleywine, imperial Stout.

Enfim, espero que vocês aproveitem bastante das dicas e antes de mais nada, se divirtam, comam, bebam e dancem muito forró!!! ❤

Xeros saracutiantes!

Harmonizações de Natal

Por Lucy Cavalcante ❤

Como já dizia Simone…”Então é natal…” hehehhee
Chegou o natal! A data mais célebre do ano, em que todo mundo quer confraternizar, comer bem, beber bem e pra dar uma forcinha pra o pessoal que quer fazer um natal diferente, vamos dar umas dicas de como harmonizar comidas e cervejas pra sua ceia ficar mais interessante do que tomar sidra, né? 😛

Recife deve ser a cidade com a maior quantidade de sommeliers em linha reta do universo! Então, pra fazer uso disso, convidei algumas confreiras que manjam muito bem do assunto pra dar essas dicas maravigolds!

Julyana Alecrim, beer sommelière pela Doemens Akademie, sócia do Mercado da Breja, arquiteta, dá dicas de como deixar a noite natalina ainda mais especial e inesquecível:
“Vale lembrar também que a harmonização é algo muito pessoal, e que cada um deve primeiro experimentar para saber qual é a melhor cerveja possível, o que sugerimos aqui são diretrizes, o que vale mesmo é tomar uma boa cerveja com os amigos e a família”.

 

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Patrícia Sanches, beer sommelière pela Doemens Akademie, sócia da Cervejaria PattLou, expert no assunto cervejas diferentonas..rs..nos deu a dica de harmonização da Bolo de Rolo (Cervejaria Estrada), com fondue de Queijo do Reino (Campo da Serra), ficamos apenas babando com essa dica, néam?!
Pra quem quer ser mais tradicional, tem a Reino da Alegria (Cervejaria PattLou), com Chester, mais combinadinho impossível. 🙂

 

 

Flávia Marques, beer sommelière pelo Instituto Ceres, cervejeira caseira da Harmonic, nos deu a dica de sobremesa ❤
“Bombom na taça, ótima para servir no final da ceia das festas de final de ano. É um bolo feito com massa orgânica de farinha de castanha do Pará, pó de cacau, açúcar demerara e leite de coco. Na cobertura interna chocolate branco com licor de cupuaçu e na camada inferior chocolate meio amargo e uma mini dose de ginja, um licor português. Pura phynez! Salivando né? Para acompanhar esta sobremesa uma deliciosa, ela indica uma cerveja tipo Porter maturada em barril de umburana da Três Lobos”.

 

 

Renata Garcia, Bacharel em Gastronomia pela UFRPE, Cervejeira artesanal e bartender da Cervejaria Laborada, apenas nos deixou sem palavras com esses drinks lindíssimos, todos eles elaborados com cervejas!
“Estes dois drinks são ideais para aqueles que não esperam meia-noite para iniciar as comemorações. Na beira da praia, da piscina, ou enquanto você prepara a ceia, eles vão dar aquele alívio leve e refrescante para o calorão da nossa Hellcife.
Primeiramente, uma caipirinha de siriguela com cachaça Carvalheira Alambique e finalizada com a Witbier Hoegaarden, que incorpora uma leve acidez e aumenta mais ainda a sua drinkability.
Para aqueles que preferem algo mais sofisticado, temos uma variação do vodka fizz com limão siciliano, framboesas, vodka, muito gelo e Colorado Appia, uma cerveja de trigo com mel, que incorpora cremosidade e dulçor para o drink”.

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Harmonização: “Ambos casam muito bem com pratos leves, como saladas ou a base de peixes ou crustáceos e com petiscos ou frituras, pois a adstringência e acidez limpam o paladar, além de não pesarem no estômago, deixando o espaço livre para a refeição principal”.

“Este próximo drink é uma apoteose natalina tropicaliente. Esqueça as frutas do bosque, o azevinho e vamos tornar esta festa tão norte-americana um pouco mais brasileira. Ao invés de morangos, temos o vermelhinho e acidez de suco de acerolas bem maduras, dry gin , xarope de for de hibisco e com a Strong Golden Ale da Cervejaria Eisenbahn. Esta mistura inusitada é ainda finalizada com uma cremosa espuma de capim santo”.

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Harmonização: “Complexo, saboroso e refrescante, harmoniza com praticamente todos os pratos da ceia natalina, desde o peru até o arroz com passas”.

“É pavê ou pacumê?! Este aqui é para beber mesmo! Creme de leite, Bourbon, xarope de rapadura, gelo e nossa pernambucana Imperial Stout da Cervejaria Debron, ideal para deixar para o fim da noite, bebericando enquanto comemos um chocottone, um bolinho de noiva com queijo do reino, ou o tradicional pavê”.

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Depois de todas essas delícias, só nos resta lhe desejar um ótimo natal!
Que seja cheio de amor, de cumplicidade e de cervejas lindas!!!

Beijos natalinos!!!

Encontro Nacional das Acervas – Natal 2017

Por Marias Bonitas

A gente tarda mais não falha! kkkk

Hoje vamos falar do fato de o Encontro Nacional das Acervas, ter sido em um dos paraísos nordestinos chamado Natal/RN (como lidar com a beleza dessa cidade, hein?!). A Acerva Potiguar está apenas de parabéns pelo mega evento, super organizado, bem localizado (de cara pra um mar lindo) e com cervejeiros reconhecidos em todo o Brasil.

Fomos todas muito bem recepcionadas pelas meninas da Acerva Potiguar/ Confraria The Queens Beer (Thalyta, Rebeca e cia), e finalmente cumprimos nossa promessa de ir visitá-las (o que não foi um sacrifício muito grande né? Estar em Ponta Negra, ao lado do Morro do Careca :P)

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Marias Bonitas marcando presença \o/
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Comitiva de PE – Acerva PE
Nossa anfitriã – Thalita Cacho

O intuito do encontro é fomentar, incentivar e confraternizar entre as ACervAs do Brasil, buscando a união de todos para um bem maior…cervejas de qualidade! \o/
Nesse encontro rolou de tudo: Palestras, passeios, festança e até churrasco!

Cervejaria Raffe
Beer Boat
Finalmente conhecemos a Lari (fofa) do Projeto E.L.A.
E as meninas arretadas da ACervA Candanga

As palestras foram lindamente ministradas no hotel Imirá, por:

Carlo Bressiani – Brew Pub
Eduardo Libório – Requisitos legais relativos a produção de cervejas
Jamal Awadallak – Mistura de leveduras e fermentação não saccharomyces
Victor Marinho – Lupulagem e suas técnicas avançadas
Elenilton Baretta, da Taberna MF – A arte do Blend

Nos passeios os visitantes tiveram a oportunidade de conhecer os lindos pontos turísticos de Natal, além de degustar as cervejas locais.

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Brew Bus
Confraria The Queens Beer arrasando com cervejas espetaculares
Reino da Alegria – Patt Lou (PE)

Fica a dica

Se forem em Natal passear, não deixem de ir a esses bares super interessantes: Estação do Malte, Paddy’s e o brew pub da Cervejaria Raffe, todos com cervejas locais e um ótimo ambiente.

Ficamos apenas sem palavras pra descrever esse evento, ma-ra-vi-lho-so, realizado pela ACervA Potiguar, que venham outros assim e que em breve seja a vez da ACervA PE fazer bonito também! 😀 O próximo nacional será em Minas Gerais e já estamos imaginando que cervejas harmonizarão com os pães de queijo, doces de leite e de goiaba que encontraremos lá! Minas não tem Mar, mas tem Bar! Simbora?

Beijos lupulados e felizes! =*

Dia da Mulher Cervejeira

❤ Por Lucy Cavalcante

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Hoje é o Dia Internacional da Mulher!!!
E, sim! Um dia a ser muito comemorado!

Um pouco sobre a história dessa data…

“As histórias que remetem à criação do Dia Internacional da Mulher alimentam o imaginário de que a data teria surgido a partir de um incêndio em uma fábrica têxtil de Nova York em 1911, quando cerca de 130 operárias morreram carbonizadas. Sem dúvida, o incidente ocorrido em 25 de março daquele ano marcou a trajetória das lutas feministas ao longo do século 20, mas os eventos que levaram à criação da data são bem anteriores a este acontecimento”. Para saber mais clique aqui e leia o artigo na íntegra.

A história da mulher no mundo da cerveja…

“Ao longo de milênios e em diferentes culturas, as mulheres são as responsáveis pelo feitio cervejeiro. É possível encontrar referências às mulheres em antigas receitas, mitos e até mesmo em orações – dado que ainda era desconhecido que o processo de fermentação dá origem ao álcool devido à ação de microorganismos, eram atribuídos poderes mágicos às mulheres e até mesmo status de divindade (como a deusa suméria Ninkasi ou a deusa romana Ceres, por exemplo)”. Clique aqui para ler o artigo na íntegra.

Falando em coisa boa…

Como todo mundo bem sabe, nada melhor do que comemorar esta data mais que especial tomando uma boa cerveja.
Por falar em cerveja… a nossa Ancestral Beer, que foi brassada no domingo (dia 05/03), no Marc et Louis, em homenagem ao dia da mulher, contando com a colaboração de muitas mulheres, amigas(os), patrocinadores e apoiadores engajados no movimento cervejeiro recifense e no Brasil todo, será vendida para arrecadar donativos para a Pink Boots Society (PBS).

Home

A PBS  nasceu em 2007 com objetivo de empoderar as mulheres que trabalham no ramo cervejeiro através da educação. A organização internacional consegue bolsas de estudos e diversas vantagens para as participantes, tudo isso de forma gratuita! A ideia é que os bolsistas retribuam a conquista oferecendo palestras, cursos, artigos e outras formas de disseminar o conhecimento às demais associadas. No site também é possível fazer doações e ser voluntária da causa.
Com todo esse movimento lindo sendo disseminado pelo mundo afora, claro que tivemos que nos juntar e “engrossar” esse coro!

Então vamos juntas(os) nessa missão cheia de significado, além de comemorar esta data importante para fomentar ainda mais a importância da mulher no meio cervejeiro.Fiquem de olho aqui no blog, que em breve iremos divulgar os detalhes da venda da Ancestral Beer, elaborada e feita por mulheres.

NOVEMBRO AZUL – SE CUIDE!

Por Marias Bonitas ❤

A campanha do Novembro Azul está em vigor e nós da Confraria Maria Bonita apoiamos muito esta causa. Afinal, cervejeiro de respeito se cuida! ;D

VENÇA O PRECONCEITO! PREVINA-SE!

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O câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens no Brasil. Fica atrás apenas de um dos tipos de câncer de pele. Para 2016, o Inca (Instituto Nacional de Câncer) estimou que seriam diagnosticados 61 mil novos casos. O mês de novembro é conhecido como o de conscientização sobre a doença, por isso é chamado de Novembro Azul.

O fato do câncer de próstata ser o mais comum já deveria preocupar qualquer homem, mas o problema é que o exame para detectar a doença esbarra no preconceito. Ainda assim, a resistência tem diminuído.

No Recife tem vários postos de saúde com o atendimento voltado com prioridade aos homens. Procure um distrito sanitário mais próximo de sua casa.
Acesse o site da Prefeitura do Recife e informe-se sobre os distritos sanitários mais próximos da sua casa. 😉

http://www2.recife.pe.gov.br/noticias/01/11/2016/pcr-convoca-homens-para-participar-do-novembro-azul

Beijos lupulados e muita saúde!!!

Stout Day – 03 Nov

❤ Por Marias Bonitas!

Olá cervejeiras(os)!

Hoje é um dia bem especial pra o universo cervejeiro, hoje é dia de falar, estudar e bebemorar a Stout!!! 😀

Senta que lá vem a história da Stout

“A Stout é um estilo derivado das Porters, ambas de origem irlandesa. As Porters eram muito comuns nas cidades costeiras, com portos. Os “porters” eram os carregadores dos portos. Eles precisavam de cervejas fortes, pesadas, pra poder aguentar a lida. Aí foi criado o estilo Porter. A Stout é filha da Porter, derivada dela. Como muitos dos trabalhadores não gostavam de cervejas adocicadas (característica das Porters, que tem aquele toque de chocolate, às vezes até de avelã) eles buscaram um aroma de café, usando um malte bastante torrado para que a cerveja ficasse menos doce. Assim que surgiu a Stout”. (Leopoldo Bitencourt).

vamos estudar…

Se você fizer uma busca no BJCP 2015, encontrará pelo menos 8 estilos de stout. São elas:

  • 15B. Irish Stout
  • 15C. Irish Extra Stout
  • 16A. Sweet Stout
  • 16B. Oatmeal Stout
  • 16C. Tropical Stout
  • 16D. Foreign Extra Stout
  • 20B. American Stout
  • 20C. Imperial Stout

Mas hoje vamos falar do estilo Irish Stout. Este estilo, de fato, divide a maioria dos cervejeiros que nós já conversamos, em: AMO ou ODEIO!

A Irish Stout tem como representante mais famosa, negra e opaca Guinness (1759), que é uma cerveja tipicamente irlandesa que ainda hoje é produzida com os mesmos insumos: água da cidade de Dublin, malte irlandês, lúpulo e levedura.

O estilo tem como características principais ser de coloração preta com um sabor tostado pronunciado, muitas vezes semelhantes aos de café, pode ter notas secundárias de chocolate escuro, cacau e/ou cereal torrado. Quase nenhum ésteres e aroma de lúpulo (porém são aceitos aromas pouco terrosos ou florais).

Ao contrário das versões em garrafa, as versões em barril/lata geralmente são bastante cremosas devido ao nitrogênio.

Existem diferenças regionais na Irlanda:

  • Stout de Dublin: usa cevada torrada, são mais amargas e são mais secas.
  • Stout de Cork: é mais doce, menos amarga, e tem sabores de chocolate e de maltes especiais, são talvez as mais próximas do estilo histórico de stout de Londres, por ter uma composição com moagem variada, mas que não é dominada por cevada tostada.

A Guinness é feita utilizando cevada tostada, flocos de cevada e malte Pale. Mas, de acordo com o BJCP (2015), caso você queira reproduzir o estilo, você pode fazer uso do malte chocolate e outros maltes escuros e especiais.  mas é importante saber que “seja qual for a combinação de maltes ou grãos utilizados, o produto resultante deve ser preto”.

dicas da gabi ramos, nossa sommeliÈrE:

Para não passar esse dia “em branco” (desculpem o trocadilho rs), seguem algumas sugestões para o dia de hoje:

  • Mark the shadow – Estilo: oatmeal stout –  Cervejaria: Bastards
  • Pérola negra – Estilo: RIS – Cervejaria: Bastards
  • Saint Bier stout – Estilo: Stout – Cervejaria: Saint Bier
  • Cat in the box – Estilo: RIS –  Cervejaria: Urbana
  • Stout mel de engenho – Estilo: Stout – Cervejaria Duvália

 Então vai lá buscar a tua melhor Stout e comemora este dia! \o/

Beijos lupulados! 😉

Fontes: