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Stout – Paixão Britânica que Ganhou o Mundo

❤ Por Mel Sobral

Oláaa Cervejeiros! 

Falar sobre Stout e não falar sobre Porter é quase impossível. Claro que atualmente ela é uma estrela e brilha sozinha, mas nem foi sempre assim. Nasceu como subcategoria, derivada da Porter. Na verdade, a palavra “stout” era apenas para dizer que “aquele estilo é mais forte”.

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História

Era a “porter mais forte”. No séc. XVIII, nos bares portuários de Londres, era comum misturar cervejas de barris com idades diferentes: eram as famosas three threads (três tipos). Elas se tornavam uma única cerveja e o preço era mais baixo, faziam o maior sucesso! A mistura era feita na maioria das vezes com Ales (Cerveja Clara) e um dia isso mudou! O que acontece quando a cerveja mais barata do bar, vira a queridinha? – Bomba!! – E foi por um FELIZ ENGANO que ao invés de Ales, decidiram acrescentar as Porters nas misturas. Não era uma medida exata, mas as misturas foram ganhando fãs, pois era a melhor combinação com o menor custo. E quanto mais escura e menos doce, saía mais, porque era assim que os porters (funcionários portuários ingleses) gostavam da bebida. Então aquela Porter Stout, acabou virando com o passar dos anos, a nossa GOXXTOSA e MARAVILINDA Stout! 

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Imagem: http://www.beersmith.com

É normal associarmos Stouts à Guinness, isso porque naquele mesmo século, mais precisamente em 1880, a cervejaria irlandesa tornou-se a maior cervejaria do mundo e com a STOUT estampando os comerciais da época, também ganhou, como na Inglaterra, o amor dos irlandeses! Depois perderam o posto de maior cervejaria para os Americanos, mas nunca deixaremos de associar esse estilo amado a ela.

 

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Imagem: https://freesider.com.br

CURIOSIDADES
Você Sabia: No final do século XVIII, mesmo período em que as cervejarias viravam empresas enormes, ganhando cada dia mais espaço em negócios, o papel da mulher cervejeira ia se esvaindo? Sim, a mulher teve um grande papel no mundo cervejeiro até aí. Podemos ver registros de 4.000 a.C. Na Babilônia, mulheres cervejeiras tidas com dons divinos, por produzir cervejas ou mais tarde, na idade média, uma mulher cervejeira era mais importante do que o seu dote. Um pouco antes desse “boom” comercial cervejeiro expandir, as cervejas eram renda extra de famílias, pelas mãos das mulheres. As famosas Tabernas eram no início, as salas das casas dessas famílias que tinham mulheres cervejeiras. Mas isso já é outra história para outro dia! 😉

Características do estilo

Sobre as características das cervejas Stouts, posso afirmar que nem toda cerveja escura é igual e nem toda Stout também. A família Stout tem como características as cores escuras, pretas; aroma de malte tostado, café, chocolate (por causa da torrefação dos seus maltes), frutas escuras secas, lúpulo de amargor; espumas consistentes que vão do bege claro ao escuro. O estilo tem vários sub estilos, entre eles o meu preferido: Russian Imperial Stout – opaaa! Mas como assim, “Russian” ? Quando Pedro, O grande, visitou a Inglaterra no século XVII, gostou tanto que levou consigo para Rússia muitos trabalhadores com ofícios diversificados. Foi assim que as Ales chegaram na Rússia e séculos depois receberam como presente um lote de Stout e a paixão floresceu, gerando a RIS: cerveja de corpo alto, cor preta e na maioria das vezes, espuma espessa e bege. Outros sub estilos são a Oatmeal Stout, cerveja de corpo alto que leva aveia; American Stout; Sweet Stout e a Irish Stout ou Dry Stout (Guinness). 

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Imagem: http://www.debronbier.com.br

Cerveja amada por todo o mundo cervejeiro, ganhou uma legião de fãs no Brasil que em cada canto dele inova, colocando sua regionalidade. Foi assim que em Pernambuco, uma cervejaria de Recife ganhou prêmio como Melhor Cerveja Imperial Stout do mundo, no prêmio WBA (World Beer Awards), em 2018. A Cervejaria Debron com sua receita de Imperial Stout com adição de Nibs de Cacau e Rapadura, levou o prêmio para casa. A Cervejaria Ekäut, ganhou destaque no mesmo concurso com suas Stouts e levaram prêmios na etapa nacional, com a Coffee Stout, recebendo a medalha de prata e a Extra Stout, a medalha de bronze. 

Porém, não precisa ser premiada para ser boa: aqui temos outras cervejarias fazendo Stouts excelentes e com drinkability alto, é o caso da Cervejaria Manguezal com a Coffee Stout e a Cervejaria Duvália com a Stout Mel de Engenho. 

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Imagem: http://www.chocolatemoosey.com

Deixei vocês curiosos para provar essas maravilhas da minha cidade natal? Espera eu te dizer um causo que aconteceu comigo, algo que acontece quando você acerta uma harmonização com cerveja – e olha que a Stout não precisa de muito! Há alguns anos, fui surpreendida com a minha primeira e simples harmonização com Stout: com uma barrinha de chocolate 70% cacau e um gole, quase escapuliu um – EU TE AMO! – para quem estava me servindo. Sim, quase! Se eu o conhecesse bem, talvez falasse com a boca cheia!

 

Então meus amigos, com um pequeno pedaço de chocolate e um gole de uma Stout bem feita, é possível ter sentimentos únicos, e garanto: você vai sempre querer terminar uma degustação com ela e talvez a apelide, como eu, de SOBREMESA! ❤

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Mel Sobral
Arquiteta, Influenciadora Digital no @melsobral.beer 
e eterna amante da cerveja.

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