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A cerveja está gelando em homenagem a São João

❤ Por Lucy Cavalcante

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Eita chegou o São João, acende a fogueira do meu coração! Enfim a festa mais esperada do ano (depois do carnaval, é claro!). Seguindo o mesmo lema do samba, a pessoa que não gosta de forró, bom sujeito não é! Aquele rala bucho, aquele friozinho, o calor da fogueira, as comidas…ahhh as comidas típicas, sempre deixam todo mundo babando.
Então nada melhor do que juntar esse amor com outro amor, cervejas! ❤
Quem nunca foi numa festinha de São João e sentiu vontade de ter uma boa cerveja disponível pra acompanhar aquelas comidas maravilhoooosas?!

História

Antes de partirmos para as harmonizações, vamos aprender um pouco mais sobre nossa cultura nordestina/brasileira, saber quem são os protagonistas dessa festa que tanto adoramos. 🙂

Quem danado foi São João?

Na cultura popular brasileira, as festas juninas têm lugar especial, pois, além de valorizarem as tradições locais do país, também revelam muitos elementos históricos, religiosos e mitológicos curiosos, que passam despercebidos. Tais festas, como é sabido, seguem o calendário litúrgico da Igreja Católica, que, no processo de assimilação dos antigos cultos pagãos europeus – na transição da Idade Antiga para a Idade Média –, acabou por substituir os rituais dedicados aos deuses médio-orientais, gregos, romanos e nórdicos por festas dedicadas aos santos.

Havia, na segunda quinzena do mês de junho, quando ocorria o solstício de verão na Europa, o culto a deuses da natureza, das plantações, colheitas etc. Um desses deuses era Adônis, que, segundo o mito grego, foi disputado por Afrodite (deusa do amor) e Perséfone (deusa dos infernos). A disputa foi apaziguada por Zeus, que determinou que Adônis passaria metade do ano com Afrodite, no mundo superior, à luz do Sol, e a outra metade com Perséfone, no mundo inferior, nas trevas.

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Essa disputa entre deusas acabou sendo associada aos ciclos naturais da vegetação, que morre no inverno e renasce e vigora na primavera e verão. O culto a Adônis, cujo dia específico era 24 de junho, tinha por objetivo a celebração dessa renovação, da “boa-nova” do renascer da natureza. Essa ideia foi assimilada pelo cristianismo, que substituiu Adônis por São João Batista.

São João Batista, na tradição cristã, anunciou a “boa-nova” (boa notícia) da vinda do Cristo, filho de Deus, salvador da humanidade, que “renovaria todas as coisas”. Foi ele também que batizou Cristo no rio Jordão. Da história de São João, a cultura popular europeia retirou vários símbolos, que passaram a se mesclar com os tradicionais ritos de colheita remanescentes do culto a Adônis. Um dos símbolos mais importantes é a fogueira.

História da fogueira, que você gosta tanto de pular!

A fogueira, característica das festas de São João, tem seu fundamento na história do nascimento de João Batista. A fogueira era um sinal de Santa Isabel, mãe de São João, para Maria, mãe de Jesus. Abaixo segue uma sinopse da história, adaptada pela pesquisadora Lúcia Rangel:

Dizem que Santa Isabel era muito amiga de Nossa Senhora e, por isso, costumavam visitar-se. Uma tarde, Santa Isabel foi à casa de Nossa Senhora e aproveitou para contar-lhe que dentro de algum tempo nasceria seu filho, que se chamaria João Batista.

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Nossa Senhora então perguntou:
— Como poderei saber do nascimento dessa criança?
— Vou acender uma fogueira bem grande; assim você poderá vê-la de longe e saberá que João nasceu. Mandarei também erguer um mastro com uma boneca sobre ele.

Santa Isabel cumpriu a promessa. Certo dia Nossa Senhora viu ao longe uma fumaceira e depois umas chamas bem vermelhas. Foi à casa de Isabel e encontrou o menino João Batista, que mais tarde seria um dos santos mais importantes da religião católica.


(“A lenda do surgimento da fogueira de São João”. In: RANGEL, Lúcia H. V. Festas juninas, festas de São João: origens, tradições e história. São Paulo: Publishing Solutions, 2008. p. 35).

Olha o forrózin!

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No caso específico do Brasil, a prática do acendimento da fogueira na noite de 23 para 24 de junho foi trazida pelos jesuítas. Tal prática foi com o tempo associada a outras tradições populares, como o forrobodó africano (espécie de dança de arrasta-pé), que daria no forró nordestino, e a quadrilha caipira, que herdou elementos de bailes populares da Europa – palavras como “anarriê”, “alavantú” e “balancê”, por exemplo, são adaptações de termos de bailes populares da França.


Fonte: FERNANDES, Cláudio. “Origem da festa de São João”; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/detalhes-festa-junina/origem-festa-sao-joao.htm. Acesso em 19 de junho de 2019.

Harmonizações juninas

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Como em boa parte do país, onde se comemoram as festas de São João, São Pedro e Santo Antônio, é inverno, as temperaturas mais baixas “pedem” cervejas mais alcoólicas e com mais corpo, que podem ser servidas entre 6 e 8 graus. A temperatura é um fator de extrema importância para o serviço e melhor aproveitamento da experiência cervejeira, acompanhada ou não de comida.

Salgados

  • Milho e Pipoca
    Podendo ser cozido, assado ou “estourado”, o milho combina bem com uma manteiga derretida, fica muito delícia! Pra acompanhar pode ser uma American Pale Ale (APA), Amber Ale ou uma Session India Pale Ale (Session IPA). Essas cervejas tem um teor de amargor considerável, ajudam na limpeza do palato, quebrando as gorduras.

Doces

  • Pamonha, Canjica, Munguzá, Bolo de Fubá, Brigadeiro de milho verde
    Reunindo as comidas de milho , onde prevalecem os doces residuais do milho e das adições de açúcares primários, cervejas mais escuras harmonizam bem, podendo ser: Bitter, California Common, Brown Ale, Baltic Porter, Dry Stout, Stout.
  • Pé de Moleque, Paçoca, Amendoim Doce, Bolo de Amendoim
    Comidas com adição de amendoim combinam bastante com cervejas com notas carameladas, produzindo um terceiro sabor interessante. Vale a pena degustar com: Dubbel, DoppelBock, Dark Strong Ale, Barleywine, imperial Stout.

Enfim, espero que vocês aproveitem bastante das dicas e antes de mais nada, se divirtam, comam, bebam e dancem muito forró!!! ❤

Xeros saracutiantes!

lucycavalcante Ver tudo

Analista de Sistemas, Diretora da Confraria Maria Bonita, Diretora da AcervA/PE (Associação de Cervejeiros Artesanais de Pernambuco), entusiasta das cervejas artesanais e das artes.

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