Ir para conteúdo

Belgian Dark Strong Ale – O lado bom da força!

❤ Por Gabriela Muller

belgian-dark-ale-socialUm estilo de cerveja Belga, potente e rico em sabor, ao mesmo tempo suave e muito perigosa. Uma Belgian Dark Strong Ale é uma cerveja complexa em sabores com dulçor de malte e frutas escuras bastante perceptível. De coloração âmbar a marrom acobreado são produzidas utilizando uma receita (nem sempre) complexa de grãos, lúpulos ingleses, leveduras belgas e xarope de açúcar caramelizado contribuindo para sabor e aromas e resultando em um corpo leve.

Estatísticas Vitais:
OG 1,075 – 1,100 (18,2 – 25,9 °P)
COR 12 – 22 SRM | 24 – 43 EBC
FG 1,010 – 1,024 (2,6 – 6,1 °P) ÁLCOOL 8,0 – 11 % ABV
IBU 20 – 35

Exemplos comerciais:
Achel Extra Brune, Boulevard The Sixth Glass, Chimay Grande Réserve, Gouden Carolus Grand Cru of the Emperor, Rochefort 8 & 10, St. Bernardus Abt 12, Westvleteren 12.

2e0c9179ee5c5116d961e20f3a3990db

História

Westvleteren_XII_900
Imagem: Westvleteren 12

Não existem relatos históricos referentes a criação desse estilo de cerveja, que na verdade não é um “estilo” de cerveja, mas sim a uma série de diversas interpretações de cervejarias independentes que faziam suas receitas. O principal relato histórico é a produção dessas cervejas na região de Mechelen, uma cidade pertencente a província de Antuérpia. As cervejas eram fervidas por 10 a 12 horas e um terço da cerveja maturada por longos anos era misturada com cervejas novas, para conferir um certo “sabor” as cervejas, porém muito longe da linha das Flanders. É uma designação que cervejeiros e bebedores usam para agrupar cervejas de estilo belga que são maiores que dubbels e mais escuras do que tripels, então há muito espaço para variação e experimentação. O que significa que esta categoria é um terreno fértil para homebrewers. Aqui vai algumas dicas para você fazer a sua receita.

 

Receita

belgian-dark-strong-ale-1

  • Malte: De acordo com Stan Hieronymus no livro Brew Like a Monk, muitas das melhores cervejas belgas escuras (como Westvleteren 12, St. Bernardus 12 e Rochefort 10) são construídas sobre uma base que é quase inteiramente de Pilsner e / ou maltes claros. Para o caráter de malte, tente mantê-lo bastante simples, ou os sabores podem ficar confusos. Complexidade não significa ter uma cerveja que tenha gosto de tudo o que se possa imaginar, por isso tente manter o foco. Uma pequena porção de malte de Munique ou aromático pode adicionar caráter de malte ou de caramelo. Especial B fornecerá uma qualidade de passas e CaraMunich pode adicionar notas de ameixa e cerejas. Evite grãos torrados escuros. Uma porção de aveia ou malte de trigo é sempre bem vinda para melhorar a retenção de espuma nessa cerveja tão potente.
  • Açúcar: a utilização de açúcar de cana ou beterraba é muito comum, para aumentar o teor alcoólico e secar bem a cerveja. Utilize candi sugar ou açúcar caramelado para aumentar a complexidade de sabor e adicionar cor.
  • Lúpulo: nessa cerveja o lúpulo realmente não faz parte do elenco principal. Utilize lúpulos com amargor limpo, geralmente no início da fervura. O equilíbrio do malte é dado pelo álcool e não lúpulo. Na relação BU:GU temos algo em torno de 1:3. Caso queira inserir sabores diferentes na sua cerveja, pode deixar o lúpulo Saaz paraadicionar ao final da fervura.
  • Leveduras: você terá que usar leveduras Belgas (meio óbvio né?!!). Procure leveduras que tolerem altas concentrações de álcool e matenham o equilíbrio entre fenóis e ésteres. Particularmente eu gosto da Farmhouse Saison, que irá secar bem a cerveja e trazer uns codimentos interessantes. Outra opção é a Abbey Ale, que deixará a cerveja mais limpa, com foco em malte e álcool e delicados ésteres. O importante é: utilize leveduras saudáveis e não economize na quantidade. Esse extrato precisa de muita levedura para ser consumido. Oxigene bravamente o mosto e faça uso de nutrientes, as suas queridas leveduras irão agradecer.
  • Fermentação: Mesmo sendo um estilo belga, o controle da temperatura de fermentação é fundamental, devido ao potencial alcóolico da cerveja. O controle de temperatura evita os seus 10% de álcool virarem solvente, adstringente ou gerem aquecimento, e ainda permite o desenvolvimento de um perfil sensorial com ésteres e fenóis em equilíbrio. Inicie a fermentação a 20°C e após dois terços da atenuação prevista, suba a temperatura para 22°C.

Como esse estilo permite diversas variações, aproveite e experimente. Quem sabe frutas? Cerejas ou frutas vermelhas se encaixam perfeitamente com os sabores de malte. E outras leveduras? Também. Pode-se tentar fermentações mistas com leveduras belgas e Brettanomyces ou fermentações secundárias com Brettanomyces após a adição das frutas. A melhor cerveja desse estilo que eu fiz foi uma colaborativa entre as meninas da Acerva Catarinense em 2017, onde utilizamos uma fermentação mista com Farmhouse Saison + Brettanomyces bruxelensis e adição de 20% de frutas vermelhas (mirtilo, amora e framboesa) após a fermentação primária ter finalizada. Após estabilizar o extrato da fermentação secundária a cerveja foi para garrafa com mais Bretta, e restam ainda 04 garrafas dessa cerveja, uma para cada março., até 2023.

Momento fofura do post ❤

dark strong

 

 

E para finalizar, segue a fotenha do meu Dark Strong!!! Não tem como não amar,  cerveja também!!

Referências:

– Brewing Classic Styles, Jamil Zainasheff and John J. Palmer. 2007. Brewers Association.
– Designing Great Beers. Ray Daniels. 2000. Brewers Association.
– BJPC 2015.
– Brew Like a Monk: Trappist, Abbey, and Strong Belgian Ales and How to Brew Them. Tim webb and Stan Hieronymus. Brewers Association.
– Brew You Own. http://www.byo.com

Essa é uma excelente cerveja para começar a fazer agora e degustar no Que malte pergunte 2020, que tem o tema: “QUE MALTE PERGUNTE, TEM CERVEJA NA FLORESTA?”. Quer saber mais sobre essa festa que agita a comunidade cervejeira em Pernambuco? Clica aqui. Já tem data, hora e local para acontecer.
5bd20f0e0dfcf.jpeg



Gabriela Müller



Sócia-proprietária da empresa LEVTECK TECNOLOGIA VIVA 
Farmacêutica, mestre em Biotecnologia, doutora em Bioquímica
Professora na Escola Superior de Cerveja e Malte em Blumenau

Um comentário em “Belgian Dark Strong Ale – O lado bom da força! Deixe um comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: