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Falando um pouco sobre a história do lúpulo

Por Patt Sanches

Vamos falar um pouco sobre lúpulo?

Entre as plantas herbáceas que têm sido utilizados ao longo da história para dar sabor ou para preservar cerveja, o lúpulo (Humulus lupulus) é a única que é considerada hoje e globalmente, como uma matéria-prima essencial para a fabricação de cerveja. A legislação brasileira vigente define cerveja como sendo:

“…a bebida obtida pela fermentação alcoólica de mosto, oriundo de malte de cevada e água potável, por ação de levedura, com adição de lúpulo“.

NEM SEMPRE FOI ASSIM

Mas nem sempre essa trepadeira, que confere amargor e aromas característicos baseados em seus óleos essenciais e resinas, foi utilizado na cerveja.

Embora o lúpulo tenha sido cultivado na Babilônia em 200 d.C., não há registro de seu uso para fazer cerveja até o século XI, Idade Média, onde os germânicos foram os primeiros a empregar o lúpulo na cerveja, conferindo as características básicas da bebida atual. O lúpulo era considerado uma erva com propriedades medicinais, usado como antibiótico e anti-inflamatório. Hildegardis abbatissa Montis S. Ruperti (Hildegard von Bingen), em seu livro “Liber Subtilitatum Diversarum Naturarum Creaturarum (Livro das Propriedades   ou Sutilezas   das Várias Criaturas da Natureza), de 1167 (Século XII), descreve cientificamente, o lúpulo, como uma planta “excelente para a saúde física”, além de “muito útil como conservante para muitas bebidas”.

O valor do lúpulo para sabor e preservação de bebidas alcoólicas parece ter sido reconhecido oficialmente nos século XII e XIII, e então o lúpulo começou a ameaçar ervas tradicionais, como alecrim, milefólio (Achillea millefolium), coentro e murta (Myrtus communis ) Com o passar dos anos, o estudo das propriedades de alguns compostos presentes no lúpulo revelou efeitos bioativos em grande parte de seus metabólitos.

E O TEMPO PASSA…

 

Imagem: Reinheitsgebot. Fonte: The Beer Planet

Avançando um pouco no tempo, a Lei de Pureza da Baviera de 1516 (Século XVII) decretou que apenas o lúpulo poderia ser usado para conferir amargor nas cervejas da Alemanha, quando antes, várias ervas, flores, especiarias eram utilizadas para fazer cerveja (o blend era conhecido como Gruit).

Já na Inglaterra, durante muito tempo, as cervejas doces e fortes eram as preferidas dos ingleses, e o lúpulo foi condenado como uma “erva daninha perniciosa”.

A criação de lúpulo como uma operação organizada e científica data do início do século XX com um programa iniciado em Wye College, Inglaterra, em 1904. Neste mesmo ano, o α-ácido humulone foi isolado primeiramente como um sólido cristalino, e durante os próximos 60 anos nosso conhecimento da química do lúpulo e da compreensão do processo de isomerização foi desenvolvido, levando a grandes benefícios para criadores, cultivadores e fabricantes de cerveja.

Já nos últimos 40 anos, tem havido uma rápida proliferação de tipos de lúpulo processado e seus produtos (pellets, flores, óleos/extratos), que oferecem ao cervejeiro várias vantagens econômicas e de qualidade sobre o uso de lúpulo, e a contribuição do lúpulo ao aroma, amargor, espuma e a estabilidade da cerveja pode agora ser controlada por meio de inúmeras variáveis da forma mais eficaz possível.

A história é muito mais longa que isso, e com inúmeros fatos interessantes, mas aqui estamos apenas dando um gostinho “amargo” e sugerindo que você busque ainda mais informações sobre este tema tão vasto e esta matéria-prima tão interessante.

Fontes:

BRASIL. Decreto n.º 6.871, de 4 de junho de 2009. Regulamenta a Lei no 8.918, de 14 de julho de 1994, que dispõe sobre a padronização, a classificação, o registro, a inspeção, a produção e a fiscalização de bebidas. Diário Oficial [da República Federativa do Brasil] , Brasília. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/decreto/d6871.htm&gt;. Acesso em: 28 de mai de 2018.

EDWARDSON, J. Hops: Their botany, history, production and utilization, Economic Botany. Apr. 1952, vol6, 160-175p.

MARTORANA, D. The Short and Bitter History of Hops. Beer Scene Magazine. Mai, 2010. Disponível em: < http://www.beerscenemag.com/2010/04/the-short-and-bitter-history-of-hops/&gt;. Acesso em: 01 jun 2018.

MEGA, J.; NEVES, E.; ANDRADE, C.; A Produção da Cerveja No Brasil. Rev. Citino, vol.1, n1. 2011. 34p. Disponível em: < https://www.hestia.org.br/wp-content/uploads/2012/07/CITINOAno1V01N1Port04.pdf&gt;. Acesso em: 01 jun. 2018.

SIQUEIRA, P. B.; BOLINI, H. M. A.; MACEDO, G. A. O processo de fabricação da cerveja e seus efeitos na presença de polifenóis. Alimentos e Nutrição, Araraquara. v.19, n.4, p. 491-498, out./dez. 2008.

VANG, R. The past, present, and yes, Future of the Hops Industry. Update Alive Magazine. Cooperstown, NY. 1996. 1-4p. Disponível em: <http://www.upstatechunk.com/beer/hops/nyhistory.htm&gt; Acesso em: 01 jun 2018.

Patt Sanches Ver tudo

Técnica Cervejeira , Beer Sommelière pela Doemens Akademie/Academia Barbantes, Diretora da ACERVA-PE, Membro da Associação de Cervejarias Artesanais de Pernambuco (APECERVA), Membro da Associação Brasileira de Cervejarias Artesanais de Pernambuco (ABRACERVA), Sócia e responsável técnica da Cervejaria Patt Lou, possui experiência na produção de cerveja artesanal, produz conteúdo para o Canal Casal Patt Lou no Youtube.

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